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(A partir da esquerda) Os líderes do ELN Israel Ramirez Pineda, Rafael Sierra Granados, Nicolas Rodriguez Bautista e Eliecer Herlinto Chamorro Acosto, em 2010

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De raízes católicas, admirador de "Che" Guevara e com uma estrutura federada, o Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha ativa da Colômbia, acordou com o governo de Juan Manuel Santos o primeiro cessar-fogo bilateral em meio século de luta armada.

Seguem abaixo alguns pontos-chave sobre este grupo rebelde.

- Quando surgiu -

O ELN foi fundado no dia 4 de julho de 1964 por sindicalistas e estudantes, muitos dos quais haviam recebido formação em Cuba e eram simpatizantes de Ernesto "Che" Guevara.

No ano seguinte, se uniu à organização o padre colombiano Camilo Torres (1929-1966), seguido por três sacerdotes espanhóis, entre eles Manuel Pérez (1943-1998), que chegou a comandar a guerrilha.

Estes religiosos eram expoentes da Teologia da Libertação, corrente da Igreja católica latino-americana que reivindica a luta a favor dos mais pobres.

Esta influência religiosa se mantém até hoje. Por isso, há alguns meses, os comandantes do ELN advogaram por um cessar-fogo como forma de dar as boas-vindas ao papa Francisco, que na quarta-feira começará uma visita de cinco dias à Colômbia.

- Quantos são, quem os comanda -

Com 1.500 combatentes e vários milhares de milicianos, segundo o governo, embora a guerrilha afirme que este número é muito maior, o ELN é liderado por Nicolás Rodríguez Bautista, "Gabino", que ingressou em suas fileiras quando tinha 14 anos.

Comandante desde 1998, após a morte por causas naturais de Pérez, Rodríguez Bautista impulsionou uma agenda nacionalista centrada no controle dos recursos naturais. O ELN tem como alvos militares a infraestrutura energética e as transnacionais presentes no país, além de recorrer ao sequestro e à chantagem para o seu financiamento.

Além de Gabino, que lidera o Comando Central (COCE), o órgão de direção do ELN é integrado pelos comandantes Israel Ramírez ("Pablo Beltrán"), chefe da delegação de paz, Eliécer Herlinton Chamorro ("Antonio García"), também membro da equipe negociadora, Gustavo Aníbal Giraldo ("Pablito") e Jaime Galvis Rivera ("Ariel" ou "Luis Alcantuz").

- O que diferencia o ELN das Farc -

Enquanto as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - já desarmadas e convertidas em um partido político - foram uma organização muito vertical, o ELN tem uma estrutura mais "federada", com voz própria em cada frente, segundo o cientista político Víctor de Currea-Lugo.

Apesar do COCE, a "coesão" do ELN está em xeque pela "flexibilização dos comandos", segundo o pesquisador do conflito Camilo Echandía.

O ELN, presente em uma dúzia de departamentos do país, teve menor capacidade de fogo que as Farc em todo o território, mas sua base social, composta por milicianos, é mais ampla, segundo especialistas.

As duas guerrilhas foram financiadas pelo narcotráfico, pela mineração ilegal, extorsão e sequestro. "Se há uma guerrilha sequestradora, é o ELN", afirmou o diretor do centro de análises do conflito Cercac, Jorge Restrepo.

De 1986 até junho de 2016, lhe eram atribuídos entre 120 e 130 sequestrados que desapareceram em seu poder, segundo a ONG País Livre.

A ênfase das Farc nas negociações de paz esteve no desenvolvimento agrário e na repartição de terras, enquanto a do ELN é a participação da sociedade nos diálogos.

- Quantas vezes buscaram a paz -

O ELN protagonizou quatro tentativas fracassadas de negociações de paz: a primeira no início dos anos 1990 com o então presidente César Gaviria (1990-94), depois com os governos de Ernesto Samper (1994-98) e Andrés Pastrana (1998-2002), e outra durante o período de Álvaro Uribe (2002-10), atualmente senador e ferrenho opositor aos acordos selados em novembro passado entre o governo de Juan Manuel Santos e as Farc (marxistas).

- Como chegam ao diálogo em Quito -

Após aproximações secretas desde janeiro de 2014, o governo e o ELN anunciaram há 10 meses que estavam prontos para iniciar negociações formais de paz.

A instalação da mesa estava prevista para outubro, mas atrasou devido à exigência de Santos de que primeiro o ex-congressista Odín Sánchez, refém dos rebeldes desde abril, fosse libertado. Isso finalmente se concretizou no dia 2 de fevereiro, junto com o indulto a dois guerrilheiros presos, Nixon Cobos e Leivis Valero.

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AFP