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O presidente equatoriano, Rafael Correa, em Punta Cana, em 24 de janeiro de 2017

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O Equador, um país rico em petróleo, escolhe neste domingo, em segundo turno, o sucessor do presidente socialista Rafael Correa, que restaurou a estabilidade política após a derrubada de três presidentes.

- Instabilidade política

Antiga parte do Império Inca até o domínio espanhol, no século XVI, o Equador se tornou uma República em 1830, após integrar a Grande Colômbia do libertador Simón Bolívar em 1822.

Em sua vida independente, passou por vários governos militares, até a eleição de Jaime Roldós, em 1979. Entretanto, continuou sendo politicamente instável: entre 1996 e 2006, teve sete presidentes, três deles derrubados.

- Socialismo do século XXI

No poder desde 2007, Correa, um economista de 53 anos formado na Europa e nos Estados Unidos, conquistou uma estabilidade inédita durante uma década com seu "socialismo do século XXI", em sintonia com os governos da Bolívia, de Cuba, da Nicarágua e da Venezuela.

O presidente foi reeleito em 2013, vencendo no primeiro turno. Durante seu mandato, redigiu uma nova Constituição, que reconhece os direitos da natureza, permite que o presidente dissolva o Parlamento, proíbe a instalação de bases militares estrangeiras e fortalece o controle estatal sobre a economia.

Correa é um duro crítico dos Estados Unidos. Durante seu governo, pôs fim a um acordo que permitia uma base militar americana na costa do país para operações antidrogas, e expulsou a embaixadora Heather Hodges depois que o site WikiLeaks publicou que a diplomata disse que Correa escolheu um general corrupto para comandar a polícia.

Em 2012, Correa concedeu asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, cuja permanência na embaixada do Equador em Londres está em jogo neste 2 de abril, já que o candidato opositor é contra a manutenção do asilo.

- Bonança petroleira

O Equador, menor membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), experimentou na última década uma bonança petroleira que lhe permitiu tirar da pobreza 1,4 milhão de pessoas.

O país tem 4 bilhões de barris de reservas provadas e sua produção média em 2016 foi de 526.000 barris por dia.

A queda dos preços do petróleo e a valorização do dólar golpearam nos últimos anos a economia do país, que é o maior exportador de banana do mundo e importante produtor de café e cacau.

Em 2016, o governo equatoriano assinou um acordo comercial com a União Europeia. A China é seu principal financiador, com um montante de 17,4 bilhões de dólares desde 2010.

- Risco sísmico

Localizado na zona de encontro das placas tectônicas Nazca e Sul-Americana, o Equador é muito propenso à atividade sísmica. Também tem quatro vulcões ativos: Tungurahua, Cotopaxi, Sangay e Reventador.

Em 16 de abril de 2016, um terremoto de 7,8 graus de magnitude deixou 673 mortos e destruiu povoados costeiros. Com perdas próximas a 3,3 bilhões de dólares, o terremoto afetou a atividade turística, que o Equador pretende tornar o principal setor econômico para 2018.

- Dados do país

Superfície: 256.370 km²

Localização: limitado pelo Oceano Pacífico a oeste, pela Colômbia ao norte e pelo Peru ao sul e a leste

Capital: Quito (2.800 metros acima do nível do mar)

Outras cidades importantes: Guayaquil e Cuenca

Habitantes: 16,5 milhões de pessoas

Idiomas: castelhano, com kichwa e shuar como línguas oficiais de relação intercultural.

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