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Plataforma de energia eólica em Brunsbuettel, Alemanha, em 21 de setembro de 2010

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As temperaturas globais estão aumentando, com as concentrações de gases de efeito estufa atingindo picos históricos e o gelo do Ártico derretendo, o que faz de 2013 um dos anos mais quentes da História, informaram cientistas em um relatório internacional publicado nesta quinta-feira.

A edição de 2013 do relatório anual sobre o Estado do Clima é uma revisão dos dados científicos e eventos climáticos durante o ano passado, compilado por 425 cientistas de 57 países.

O informe se debruça em variáveis climáticas essenciais, de forma similar a um médico que verifica os sinais vitais de uma pessoa durante um check-up anual, explicou Tom Karl, diretor do Centro de Dados da americana Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

Embora Karl tenha se negado a fazer um diagnóstico do planeta, ele explicou que o informe traz algumas surpresas, mas uma tendência contínua que mantém o padrão de aquecimento visto nas últimas décadas.

"Se quisermos fazer uma analogia com a saúde humana, se acompanharmos nosso ganho de peso e quisermos manter um peso ideal, estaríamos nos vendo ganhar peso com o passar dos anos", disse Karl a jornalistas.

"O planeta, seu estado climático, está mudando mais rapidamente no mundo de hoje do que em qualquer momento da civilização moderna", acrescentou.

As temperaturas mundiais estiveram entre as mais quentes já registradas em todo o mundo, com quatro importantes levantamentos de dados situando 2013 entre o segundo e o sexto ano mais quente de todos os tempos, acrescentou o informe.

"A Austrália viveu seu ano mais quente da História, enquanto a Argentina teve seu segundo ano mais quente e a Nova Zelândia, o terceiro", exemplificou o documento.

As temperaturas da superfície do mar também subiram, fazendo do ano passado um dos 10 anos mais quentes da História.

O enigma Ártico-Antártica

O Ártico teve seu sétimo ano mais quente desde que começaram os registros, no início dos anos 1900.

A cobertura de gelo no Ártico foi a sexta menor desde que as observações de satélite começaram, em 1979.

Enquanto isso, o gelo no Oceano Antártico (ou Austral) tem aumentado, particularmente no fim do inverno, quando está no auge, com uma razão de crescimento de cerca de 1% a 2% por década.

"É um enigma porque a cobertura de gelo do Ártico está se comportando diferentemente do que na Antártica", afirmou James Renwick, professor associado da escola de geografia da Universidade Victoria, em Wellington, Nova Zelândia.

"Adoramos perguntas como estas porque criam questões de pergunta mais importantes que precisam ser respondidas", acrescentou.

Renwick disse que o aumento se relaciona com o gelo marinho na Antártica, e não a cobertura de gelo glacial no continente, que foi tema de estudos recentes segundo os quais a perda de gelo no oeste da Antártica pode ser incontrolável.

Novos registros

Enquanto isso, o metano, o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa produzidos na queima de combustíveis fósseis "continuaram a crescer durante 2013, mais uma vez alcançando altas históricas", destacou o informe.

Pela primeira vez, a concentração diária de CO2 na atmosfera excedeu as 400 partes por milhão (ppm), como mensurado pelo Observatório Mauna Loa, no Havaí, um ano depois que locais de observação no Ártico registraram concentrações de CO2 de 400 ppm na primavera de 2012.

Em média, os níveis do mar ao redor do planeta também aumentaram, mantendo a tendência de acrescentar cerca de três milímetros ao ano nas últimas duas décadas, acrescentou.

"Em 2013, o nível médio global do mar alcançou um novo recorde", afirmou Jessica Blunden, climatologista do Centro de Dados Climáticos Nacionais da NOAA.

"Estava 3,81 centímetros acima da média de 1993 a 2010", prosseguiu.

O informe foi publicado no Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia.

AFP