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Um homem caminha próximo ao logo da NHS, em Londres, no dia 14 de maio de 2017

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Um ataque cibernético sem precedentes atingiu computadores de ao menos 150 países desde sexta-feira, perturbando o funcionamento de muitas empresas e instituições como hospitais britânicos, bancos russos e a fabricante de automóveis Renault.

- O que aconteceu? -

Da Rússia à Espanha e do México ao Vietnã, dezenas de milhares de computadores, sobretudo na Europa, foram infectados desde sexta-feira por um programa "ransomware" que se beneficia de uma falha do sistema operacional Windows, divulgada em documentos vazados da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

O programa maligno, chamado WannaCry, bloqueia o acesso aos arquivos do usuário e pede dinheiro - por meio da moeda virtual bitcoin - para liberar esses arquivos.

Segundo especialistas, o fato de o vírus funcionar em dezenas de idiomas mostra que os hackers tinham a intenção de realizar um ataque em escala mundial.

O Serviço Europeu de Polícia (Europol) destacou a rapidez inédita com a qual foi propagado o vírus, que combina pela primeira vez os elementos de um programa maligno e de um worm informático.

- Ocorreu o temido cibercaos? -

Até o momento não ocorreu o cibercaos que alguns antecipavam. "Aparentemente, o número de vítimas não aumentou e a situação parece estável na Europa", declarou nesta segunda-feira à AFP o porta-voz da Europol, Jan Op Gen Oorth.

O diretor da Agência francesa de segurança de sistemas de informação (ANSSI), Guillaume Poupart, disse, por sua vez, que não se deve temer um "cibercaos", embora caiba esperar réplicas regulares nos próximos dias ou semanas.

- Quantos países foram impactados? -

Segundo o Europol, o ciberataque deixou mais de 200.000 vítimas, principalmente empresas, em ao menos 150 países. "Nunca havíamos visto nada assim", admitiu o diretor da Europol, Rob Wainwright, à rede britânica ITV. Além disso, disse temer que este número aumentasse quando as pessoas ligassem novamente o computador nesta segunda-feira, ao voltar ao trabalho.

Entre as vítimas figuram vários hospitais britânicos, a empresa espanhola de telecomunicações Telefónica, a fabricante francesa de automóveis Renault, a empresa de correios americana FedEx, o ministério do Interior russo e a operadora de ferrovias alemã Deutsche Bahn.

Na China, centenas de milhares de computadores e cerca de 30.000 instituições, incluindo agências governamentais, foram afetadas, segundo o Qihoo 360, um dos primeiros provedores de programas antivírus no país asiático.

- Quem está por trás dos ataques? -

Até o momento, os hackers não foram identificados. "É muito difícil identificar e inclusive localizar os autores do ataque. Realizamos um combate complicado diante de grupos de cibercriminalidade cada vez mais sofisticados que recorrem à encriptação para dissimular sua atividade. A ameaça é crescente", ressaltou Rob Wainwright, diretor da Europol.

"É óbvio que estamos diante de um caso criminoso", disse Poupart. "Algumas máfias que se dedicavam a vender drogas ou diferentes grupos de tráfico realizam ataques informáticos porque é mais simples, mais barato, traz menos risco e dá muito dinheiro", explicou.

- Quanto os hackers pedem? -

As vítimas foram convocadas a pagar 300 dólares em um prazo de três dias. Caso isso não aconteça, o preço do resgate duplica. Não é um valor muito alto mas, diante da amplitude do ataque, a soma total pode ser importante.

Especialistas e autoridades aconselham a não pagar, já que não é certo que isso garanta a recuperação dos documentos.

O ex-hacker espanhol Chema Alonso, agora responsável de cibersegurança na Telefónica, considerou no sábado em seu blog que, apesar do "ruído midiático, este 'ransonware' produz não teve muito impacto real", já que "é possível ver na carteira bitcoin utilizada que o número de transações" é baixo.

A companhia de segurança informática Digital Shadows indicou no domingo que os hackers obtiveram no total receitas no valor de 32.000 dólares.

- Como proteger seu computador? -

A Microsoft reativou uma atualização de certas versões de seus programas para enfrentar este tipo de ataque, algo incomum. O vírus ataca principalmente a versão Windows XP, de cuja manutenção técnica a Microsoft já não se encarrega. O novo sistema operacional Windows 10 não foi atingido pelo ataque, disse a Microsoft.

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