AFP

Um homem sírio coleta os restos mortais de um pássaro morto, que supostamente foi morto por gás tóxico em Khan Sheikhun, no dia 5 de abril de 2017

(afp_tickers)

- Os fatos -

Um bombardeio aéreo atingiu na terça-feira por volta das 07H00 locais (01H00 de Brasília) a pequena cidade de Khan Sheikhun, controlada por rebeldes e extremistas na província de Idleb, no noroeste da Síria.

Imagens de uma correspondente da AFP mostraram corpos sem vida estendidos na calçada e pessoas sofrendo convulsões e crises de asfixia.

O balanço está em 86 mortos, incluindo 30 crianças e mais de 160 feridos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

- A natureza do ataque -

Os elementos recolhidos durante as primeiras análises realizadas com as vítimas do suposto ataque químico na Síria indicam que elas forma expostas a gás sarin, um potente agente neurotóxico, segundo o ministério da Saúde turca.

A fonte acrescentou que mais de 30 pessoas feridas se encontram hospitalizadas na Turquia.

- Quem é o responsável? -

Vários dirigentes, especialmente ocidentais, e a oposição síria acusaram o regime de Bashar Al Assad.

"Todas as provas que vi sugerem que foi o regime de Al Assad.... Usando armas ilegais contra seu próprio povo", afirmou o secretário britânico de Relações Exteriores, Boris Johnson.

O presidente francês, François Hollande, fez alusão à "responsabilidade" de Assad no "massacre" e a Casa Branca denunciou um "ato odioso do regime" de Damasco.

A Coalizão Nacional, grande plataforma opositora síria, questionou o "regime do criminoso Bashar" al Assad.

- O que dizem o regime e seus aliados? -

O Exército sírio desmentiu "categoricamente ter empregado qualquer substância química em Khan Sheikhun".

O presidente russo Vladimir Putin considerou nesta quinta-feira "inaceitável" acusar sem provas o regime sírio de responsabilidade no suposto ataque.

- Armas químicas na Síria -

Em agosto de 2013, o regime foi acusado de ter empregado gás sarin em um ataque contra dois setores rebeldes na periferia de Damasco, que deixou, segundo os Estados Unidos, mais de 1.400 mortos.

O governo rechaçou as acusações e ratificou em 2013 a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas.

A Síria deveria ter destruído seu arsenal químico em virtude de um acordo entre Moscou e Washington, mas suspeita-se que o regime tenha voltado a utilizar este tipo de armamento em várias ocasiões.

Em outubro de 2016, o Conselho de Segurança recebeu um informe concluindo que o exército sírio tinha realizado cada um destes ataques com cloro em 2014 e 2015.

No começo de março, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OIAC) informou que investigava outros oito ataques com gás tóxico cometidos na Síria desde o começo de 2017.

O regime e a Rússia sempre acusaram grupos rebeldes armados ou extremistas de usar armas químicas.

AFP

 AFP