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O presidente americano, Barack Obama, fala com jornalistas sobre a ameaça jihadista no Iraque, em Martha's Vineyard, em Massachusetts.

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O presidente americano, Barack Obama, pediu nesta quarta-feira um esforço conjunto para eliminar o "câncer" do terror jihadista do Iraque e da Síria, depois que militantes do Estado Islâmico (EI) assassinaram um jornalista americano.

Obama declarou que o mundo inteiro ficou chocado com a decapitação do jornalista James Foley, de 40 anos, que foi filmada e divulgada na internet por combatentes do EI.

"É preciso haver um esforço conjunto para extirpar esse câncer, para que ele não se espalhe. Deve haver uma rejeição clara a este tipo de ideologias niilistas", disse Obama.

"Uma coisa com a qual todos podemos concordar é que um grupo como o EIIL não tem lugar no século XXI", declarou, citando a sigla utilizada anteriormente pelo grupo, que se identificava como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

Ele afirmou que a organização não é porta-voz de nenhuma religião verdadeira, e ameaça tanto muçulmanos quanto não muçulmanos.

"Suas vítimas são em sua maioria muçulmanas e nenhuma fé ensina as pessoas a massacrar inocentes. Nenhum Deus justo apoiaria o que eles fizeram ontem e o que eles fazem todos os dias", disse Obama.

O presidente declarou ter conversado com os pais de Foley, um jornalista freelancer que trabalhava para o GlobalPost, para a AFP e para outros meios de comunicação antes de ser sequestrado, há dois anos, e "disse a eles que todos estão com o coração partido por sua perda".

A aviação americana realizou 14 ataques nas últimas 24 horas contra militantes do Estado Islâmico perto da maior represa do Iraque.

Aviões não tripulados e caças americanos destruíram ou provocaram danos em seis veículos Humvees, três depósitos de explosivos, um morteiro e dois veículos armados, anunciou o Comando Central (US Central Command). Os ataques tinham como objetivo "manter a expansão" do controle curdo e iraquiano da área.

"Esses ataques foram realizados com autorização para dar apoio às forças de segurança iraquianas e às forças de defesa curdas em operações, para proteger a estrutura vital aos funcionários americanos e para apoiar os esforços humanitários", acrescentou.

A declaração foi emitida depois que o Estado Islâmico, que ocupa grande parte do leste da Síria e do norte do Iraque, divulgou um vídeo que mostra a decapitação de Foley, que tinha sido sequestrado na Síria em 2012.

As imagens mostravam outro jornalista americano, Steven Sotloff, que seria executado se Obama não suspendesse os ataques aéreos, ameaçou o EI.

O Pentágono planeja enviar "pouco menos de 300" soldados americanos ao Iraque a pedido do Departamento de Estado, para a proteção das instalações diplomáticas, aumentando para cerca de 1.150 o número de soldados e assessores militares que Washington mantém mobilizados no Iraque.

Redes sociais retiram vídeos

A decapitação foi divulgada em fotos e vídeos na internet, mas nesta terça sites como o Twitter e o YouTube anunciaram que tinham sido apagados.

O YouTube indicou ter removido o vídeo em conformidade com sua política de que "qualquer conteúdo destinado a chocar, fazer sensacionalismo ou desrespeitoso" seja retirado de seu site.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o jihadista que decapitou Foley é muito provavelmente britânico e prometeu que fará o máximo para impedir que voluntários saiam do Reino Unido para se juntar ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

"Não identificamos o responsável, mas pelo que vimos, é cada vez mais provável que se trate de um cidadão britânico", disse Cameron.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou categoricamente o assassinato, classificando o ato de "crime abominável".

Em uma mensagem e Facebook, a mãe de Foley, Diane, afirmou: "Nunca estivemos mais orgulhosos de nosso filho Jim. Deu sua vida para tentar mostrar ao mundo o sofrimento do povo sírio".

- "Declaração de guerra aos EUA" -

De acordo com Michael Morell, ex-agente da CIA, este assassinato é o "primeiro ataque terrorista" do EI contra os Estados Unidos. O senador republicano Marco Rubio disse que o EI "declarou guerra" aos Estados Unidos.

Na frente de batalha, ao norte e a oeste de Bagdá, as forças iraquianas apoiadas por milícias xiitas e tribos sunitas, além dos peshmergas (combatentes curdos), consolidavam suas posições depois de terem expulsado os jihadistas, mas nesta quarta não registravam avanços.

Essas forças tentam recuperar a cidade de Tikrit dos jihadistas, mas têm dificuldade em penetrar. A região era o reduto do ditador derrubado Saddam Hussein.

A retomada da represa de Mossul, a maior do Iraque, foi até agora a principal vitória sobre o EI.

AFP