Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Cidadãos colombianos atravessam a fronteira no rio Táchira deixando a Venezuela e chegando a Cúcuta, Colômbia, no dia 27 de agosto de 2015

(afp_tickers)

Diplomatas da Organização dos Estados Americanos (OEA) discutirão na próxima segunda-feira, durante reunião extraordinária, a situação dos colombianos deportados pela Venezuela, o que gerou uma crise bilateral.

O Conselho Permanente da OEA "celebrará uma sessão extraordinária", a pedido da representação da Colômbia, para responder à "situação humanitária que vivem os cidadãos colombianos" na Venezuela, "gerada pela forma com que estes cidadãos colombianos estão sendo deportados e obrigados a partir" do país, informou o organismo.

A sessão será realizada às 15H00 local (16H00 Brasília), na sede do organismo regional em Washington.

A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, anunciou na véspera que pediria uma reunião dos chanceleres da OEA para tratar da crise com a Venezuela, que fechou dois setores da fronteira bilateral e expulsou milhares de colombianos que viviam na região.

Holguín informou nesta sexta-feira que pedirá o envio de uma missão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para verificar o drama humanitário na fronteira com a Venezuela.

A Unasul fará uma reunião extraordinária de chanceleres para analisar a crise na próxima quinta-feira, em Quito, sede do organismo regional, confirmou Holguín em entrevista coletiva.

Também nesta sexta, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo da OEA, pediu nesta sexta o fim das deportações maciças de colombianos pela Venezuela, expressando sua "profunda preocupação" com as denúncias de violações aos direitos humanos dos deportados.

A CIDH expressou, em um comunicado, "sua profunda preocupação ante as deportações arbitrárias e coletivas de migrantes colombianos em situação migratória irregular, que vêm sendo realizadas pelas autoridades venezuelanas".

A Comissão, com sede em Washington, exigiu que à Venezuela "deter de forma imediata qualquer expulsão coletiva, arbitrária e/ou sumária" e garantir o "devido processo" aos deportados.

"As expulsões coletivas são manifestamente contrárias ao direito internacional", destacou.

A tensão diplomática entre Bogotá e Caracas aumentou na quinta-feira, com os dois países chamando para consulta seus embaixadores, em meio a denúncias de violações dos direitos humanos dos colombianos expulsos.

Além dos mais de mil deportados, estima-se que entre 5 mil e 6 mil colombianos fugiram da Venezuela por temer sua expulsão sem poder levar seus pertences.

Em uma semana, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou dois setores da fronteira com a Colômbia e decretou o estado de exceção, sob o argumento de que a região está tomada pelos paramilitares colombianos.

Maduro adotou estas medidas dias depois de um ataque a tiros de indivíduos não identificados que deixou três militares e um civil venezuelanos feridos, quando realizavam uma operação de combate ao contrabando.

Os governos de Brasil e Argentina informaram que observam com "preocupação" a crise entre Colômbia e Venezuela e mostraram sua disposição de colaborar para resolver a situação através dos mecanismos regionais.

AFP