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Famílias palestinas retornam ao subúrbio de Gaza

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O movimento islamita palestino Hamas, que, até algumas semanas atrás, estava encurralado, agora pode obter os benefícios políticos e diplomáticos da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, que já deixou mais de 1.450 palestinos mortos, segundo analistas palestinos e israelenses.

Após a deposição em julho de 2013 de seu protetor egípcio, o presidente islamita Mohamed Mursi, e a chegada ao poder de Abdel Fatah al-Sissi, o Hamas ficou cada vez mais isolado e debilitado.

O Egito de Sissi, adversário do movimento Irmandade Muçulmana, do qual o Hamas é proveniente, fechou ou destruiu os túneis de contrabando entre Gaza e Egito, que representavam as poucas fontes de oxigênio deste enclave, submetido desde 2006 a um bloqueio israelense.

O descontentamento social começou a crescer neste território superpovoado de 362 km2, que o Hamas controla há sete anos e onde não consegue pagar seus cerca de 40.000 funcionários. O desemprego alcança 40% da população economicamente ativa.

"A guerra devolveu o Hamas à cena política, tanto no plano regional quanto no plano internacional", afirmou à AFP Adnan Abu Amer, cientista político da universidade Umma de Gaza.

"Hamas não se rende"

Para Mujaimer Abu Sada, professor de Ciência Política na universidade Al-Azhar de Gaza, "a população de Gaza passou da morte lenta que o bloqueio lhe infligia à resistência contra Israel".

Neste contexto, o Hamas soube fazer propaganda dos êxitos de seus combatentes, como um ataque realizado através de um túnel que matou cinco soldados israelenses ou a paralisia quase total do tráfego aéreo no aeroporto israelense Ben Gurion como consequência de um de seus foguetes.

Os 25 dias de bombardeios maciços israelenses não terminaram, no entanto, com a ameaça militar do Hamas, que conta com 20.000 combatentes, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos britânico (IISS).

Embora o exército israelense tenha anunciado a morte de centenas deles, não conseguiu matar nenhum chefe importante do braço armado do movimento islamita.

"O Hamas não se rendeu. Seus combatentes continuam com o lançamento de foguetes contra Israel" e "realizam uma luta sangrenta para proteger seus túneis", reconhece o general israelense na reserva Yaacoov Amidror, em uma nota do Centro Begin-Sadate de Estudos Estratégicos israelense.

Os 3.000 foguetes lançados pelo Hamas, que deixaram apenas três mortos, conseguem manter, no entanto, um clima de medo, em especial no sul de Israel.

"O fato de que conseguiram ferir Israel aumentou a popularidade do Hamas", afirma Jamal al-Fadi, cientista político da universidade de Gaza, que alerta, no entanto, que o movimento islamita deve agora "agir com pragmatismo e capitalizar politicamente seus êxitos militares".

Segundo o editorialista do jornal israelense Yediot Aharonot, Nahum Barnea, inclusive no caso de uma trégua duradoura, Israel deverá aceitar duas concessões: o reconhecimento do governo de unidade palestino, apoiado pelo Hamas, e um levantamento parcial do bloqueio em Gaza.

Para Aharonot, "este é o preço que Israel deverá pagar ao fim de suas operações".

AFP