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Rua na cidade de Agadez, norte da Nigéria, no dia 6 de abril de 2017

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A Organização Internacional para as Migrações (OIM) denunciou nesta terça-feira (11) a existência de verdadeiros "mercados de escravos" na Líbia, onde os imigrantes são comercializados por valores que variam entre 200 e 500 dólares.

"Você vai ao mercado, e pode pagar entre 200 a 500 dólares para ter um imigrante" e utilizá-lo para realizar "as suas tarefas", declarou aos meios de comunicação o chefe da missão da OIM na Líbia, Othman Belbeisi, em Genebra.

"Após comprá-lo, você se torna responsável por essa pessoa (...) Algumas fogem, enquanto outras são mantidas sob regime de escravidão", acrescentou. Em comunicado, a OIM explica que seu grupo na Líbia e na Nigéria reuniu testemunhos "chocantes" dos imigrantes, que descreveram a existência de mercados de escravos nos quais centenas de homens e mulheres eram colocados à venda, em praças públicas e armazéns.

Trata-se de "gente vendida em público, sentada no sol", contou à AFP um porta-voz da OIM, Leonard Doyle.

No comunicado, a OIM menciona o terrível caso de um imigrante senegalês, cujo nome é mantido sob anonimato. Esse homem teve que pagar aproximadamente 320 dólares a um traficante de seres humanos para poder chegar à Líbia vindo de Agadez, na Nigéria.

Após dois dias no deserto, em um veículo 4x4 conduzido por um homem, chegou a Sabha, no sudoeste da Líbia. O condutor do carro alegou não ter sido pago pelo traficante e o levou até um mercado de escravos.

De acordo com a OIM, os imigrantes subsaarianos foram comprados e vendidos por líbios nesse mercado, situado em um estacionamento, ajudados por ganeses e nigerianos que trabalham para eles.

Após ser vendido, o imigrante senegalês foi levado a diversos lugares, como prisões onde os imigrantes eram torturados enquanto seus sequestradores exigiam de suas famílias resgate para libertá-los.

Esse homem conseguiu evitar os maus-tratos ao converter-se em tradutor dos sequestradores.

Testemunhas reconhecidas pela OIM também informaram que mulheres acabavam se tornando escravas sexuais.

"A situação é desastrosa. Sabemos que os imigrantes que caem nas mãos dos traficantes enfrentam situações de subnutrição de forma sistemática, além de abusos sexuais e até mesmo a morte", disse o diretor de operações de urgência da OIM, Mohamed Abdiker, em comunicado.

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