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(Arquivo) O diretor geral da OMC, Roberto Azevedo

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Após um 2016 fraco, o comércio internacional, determinante para o crescimento, irá se recuperar timidamente em 2017 por causa da incerteza política, segundo as previsões da Organização Mundial do Comércio (OMC) publicadas nesta quarta-feira.

"A atitude geral é um otimismo prudente mas o crescimento do comércio continua sendo frágil e há risco de quedas consideráveis", disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, em uma entrevista coletiva em Genebra.

Segundo as previsões da OMC, os intercâmbios comerciais crescerão 2,4% em 2016, frente a 1,3% de 2016. Essa estimativa se baseia em um crescimento do PIB mundial de 2,7%.

Mas considerando "fatores de risco" como a "incerteza política" nos Estados Unidos e na Europa, a OMC reconhece que esse valor pode variar em uma faixa de entre 1,8% e 3,6%.

Para 2018, a OMC prevê um crescimento dos intercâmbios comerciais de entre 2,1% e 4%.

Para 2016, a entidade estima inicialmente um crescimento de 2,8%, mas em setembro o revisou em baixa, a 1,7%. A taxa de crescimento de 2016 foi de 1,3%, a mais baixa registrada desde a crise financeira.

Pela primeira vez desde 2001, este crescimento de 1,3% em 2016 foi inferior ao do PIB (2,3%) e a proporção entre ambos foi de 0,6%, um nível jamais alcançado até agora.

Tradicionalmente, o comércio mundial é um dos principais motores de crescimento do PIB e cresce mais que este. Nos anos 1990, o comércio crescia duas vezes mais rápido que o PIB mas a proporção caiu para 1,5% após a última crise financeira.

Segundo a OMC em 2017 "a proporção deveria recuperar-se em parte, mas continua sendo um elemento de preocupação".

Perguntado sobre política comercial de Washington, Azevêdo disse que espera o início no cargo do representante americano de Comércio para estabelecer um diálogo com a nova administração de Donald Trump.

- Incerteza pelo Brexit -

Roberto Azevêdo também disse que a incerteza sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) "não é boa". Mas preferiu não se pronunciar sobre as eleições na França. "Eu tenho um passaporte brasileiro, não voto na França", ironizou, sem desconsiderar que as eleições são um fator de risco e de incerteza.

O diretor da OMC reconheceu que o comércio pode criar "perturbações econômicas em algumas comunidades", mas que não se pode "exagerar" sobre os efeitos negativos nem esconder "os benefícios no crescimento, no desenvolvimento e na criação de emprego".

Azevêdo disse que os maus resultados de 2016 se explicam em grande parte "pela marcada desaceleração dos mercados emergentes", onde as importações estagnaram.

Em paralelo, a OMC voltou a lançar uma advertência contra os efeitos de medidas protecionistas. Se os políticos tentarem criar empregos impondo restrições às importações, "o comércio não poderá ajudar a estimular o crescimento e poderá inclusive enfrentar a recuperação", disse o diretor.

Segundo ele, o comércio deve ser considerado "como parte da solução para as dificuldades econômicas e não como uma parte do problema".

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