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Um homem é vacinado contra o Ebola, em Conacri, Guiné, no dia 10 de março de 2015

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi questionada por sua má gestão da epidemia de Ebola, com especialistas exigindo nesta quinta-feira grandes reformas e uma duplicação do seu orçamento para evitar mais mortes "desnecessárias" no futuro.

"É fundamental agir em nível da OMS e do sistema global de saúde, antes que a dinâmica política atual desapareça", alertaram os pesquisadores do Instituto O'Neill para a Saúde Global, com sede em Washington, na revista médica britânica The Lancet.

Eles sugerem a duplicação dentro de 5 anos do orçamento da organização, que é atualmente de US$ 4 bilhões.

Também defendem a criação de um fundo de emergência específico para fornecer fundos assim que o próximo surto for identificado.

O balanço da epidemia de Ebola que atinge desde o ano passado três países da África Ocidental (Libéria, Serra Leoa e Guiné) já ultrapassa 11 mil mortos, quase a metade das 26.500 pessoas afetadas pelo vírus, segundo o último relatório fornecido quinta-feira pela OMS.

A OMS vem sendo acusada desde o verão passado de não ter antecipado adequadamente a epidemia e de ter reagido de forma tardia.

Entre as razões para este atraso, Lawrence Gostin e Eric Friedman citam uma diminuição no orçamento da OMS de US$ 500 milhões em 2011, o que resultou em uma redução de pessoal, especialmente em sua unidade de resposta de emergência.

Mas eles também mencionam "lacunas" nas regulamentações internacionais de saúde para evitar a propagação da epidemia através das fronteiras.

"O pessoal sanitário, bem como os fundos necessários, chegaram devagar e de forma imprevisível", ressaltam.

A origem do surto atual remonta a uma criança de dois anos de idade descoberta em dezembro de 2013 na Guiné, mas cujo diagnóstico foi confirmado apenas em março de 2014, quando a epidemia já havia se estendido para a Libéria e Serra Leoa.

Desde junho, a organização Médicos Sem Fronteiras já alertava que a epidemia estava completamente fora de controle, mas a OMS esperou até agosto para declarar uma "emergência de saúde pública global" e pedir uma "resposta internacional coordenada".

Questionada pela AFP, a OMS indicou que apresentará propostas para modificar as intervenções em situações de emergência, em uma reunião programada para o final do mês.

Uma avaliação independente da sua gestão da crise de Ebola também está em andamento.

AFP