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OMS: transmissão do coronavírus no Brasil atingiu "platô"

Voluntário pulveriza rua da favela da Babilônia, Rio de Janeiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. julho 2020 - 16:19
(AFP)

A epidemia do novo coronavírus atingiu um "platô" no Brasil, informou nesta sexta-feira (17) a Organização Mundial da Saúde (OMS), instando o país a aproveitar a oportunidade para controlar as infecções.

"O aumento de casos no Brasil não é mais exponencial, atingiu um platô", disse o responsável de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan, em uma entrevista coletiva virtual.

A taxa de reprodução do vírus, que mede o número de novas pessoas contaminadas por cada pessoa infectada, superior a 1,5 ou 2 em abril/maio, se mantém agora entre 0,5 e 1,5 nas diferentes regiões do Brasil, explicou Ryan.

O Brasil superou nesta quinta-feira o número de dois milhões de casos de coronavírus. Em apenas 24 horas, houve 45.403 novas infecções, segundo o Ministério da Saúde.

No entanto, especialistas concordam que o número oficial de casos é subestimado.

"Dois milhões é um número simbólico, porque não temos testes em massa. Provavelmente são quatro ou cinco vezes mais. As medições mais pessimistas apontam para dez vezes mais", disse à AFP o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas e do hospital Albert Einstein de São Paulo.

Nesta quinta-feira, foram registrados 1.322 óbitos nas últimas 24 horas, e o país se aproxima de 80 mil óbitos.

"Há um platô. O Brasil tem agora a oportunidade de frear a doença e conter a transmissão do vírus, de tomar o controle" da epidemia, afirmou Michael Ryan.

Na América Latina, os contágios superam os 3,6 milhões, com mais de 154.000 mortes, segundo cálculos que o AFP com base em fontes oficiais.

"Até agora, em muitos países, incluindo o Brasil, foi o vírus que estabeleceu as regras", acrescentou Ryan. Ele observou que "quando os números se estabilizarem, será possível reduzir a transmissão".

O chefe da OMS garantiu que o Brasil tem "agora a possibilidade de fazer isso", mas que "terá que tomar medidas muito sustentadas e concertadas para alcançar" essa redução. Ele enfatizou, contudo, que "não há garantia" de que o vírus recuará.

O número de mortes no Brasil é o segundo pior do mundo, depois do dos Estados Unidos, com 3,5 milhões de infecções e mais de 138.000 mortes.

No mundo, no total, o número de mortes por coronavírus excede 590.000 e há quase 14 milhões de casos registrados oficialmente, segundo uma contagem da AFP.

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