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OMS diz que o HIV aumenta risco de forma grave da covid-19

Estudos anteriores não conseguiram estabelecer uma ligação clara entre o HIV e uma maior probabilidade de doença grave e morte por covid-19 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 15. julho 2021 - 14:30
(AFP)

Estar infectado com o HIV, o vírus da aids, aumenta o risco de desenvolver uma forma grave da covid-19, ou até mesmo de morte se estiver no hospital, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados nesta quinta-feira (15).

"Até então, o impacto da infecção pelo HIV na gravidade e mortalidade da covid era relativamente desconhecido, e as conclusões de estudos anteriores eram, às vezes, contraditórias", ressalta em um comunicado a conferência científica do IAS (Sociedade Internacional de AIDS).

"Este estudo destaca a importância de incluir as pessoas que vivem com o HIV em populações prioritárias para a vacinação contra a covid", estima a presidente do IAS, Adeeba Kamarulzaman.

"A comunidade internacional deve fazer mais para garantir que os países fortemente afetados pelo HIV tenham acesso imediato às vacinas contra a covid. É inaceitável que menos de 3% [da população] do continente africano tenha recebido uma dose da vacina e menos de 1,5% as duas doses", insiste.

Conduzido pela OMS, o estudo abrange 15.500 pessoas infectadas com HIV e hospitalizadas pela covid-19 em 24 países.

A idade média deles era de 45 anos e meio, e mais de um terço tinha uma forma grave ou crítica da covid-19. Quase todos (92%) estavam em terapia antirretroviral para o HIV antes da hospitalização.

Do total de casos estudados, quase um quarto (23%) dos pacientes com resultados clínicos documentados morreram no hospital.

Levando em consideração outros fatores (idade ou presença de outros problemas de saúde), esses resultados mostram que "a infecção por HIV é um fator de risco significativo para as formas graves e críticas da covid-19 no momento da hospitalização e para mortalidade no hospital", estima a OMS em um comunicado.

De acordo com dados do UNAIDS, a agência especializada da ONU, 37,6 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo em 2020, das quais 27,4 milhões estavam em tratamento.

Os tratamentos antirretrovirais podem controlar a infecção a ponto de tornar o vírus indetectável.

No entanto, as autoridades mundiais de saúde alertam contra a paralisação que pode ocorrer na luta contra a aids por causa da pandemia de covid-19, que retarda os diagnósticos e o acesso aos tratamentos.

"Os países ricos da Europa, cujas populações têm fácil acesso às vacinas contra a covid, preparam-se para aproveitar o verão, enquanto os países do hemisfério sul estão em crise", lamentou na quarta-feira a diretora-executiva da UNAIDS, Winnie Byanyima.

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