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O ministro do Turismo, Marx Beltrão, durante entrevista com a AFP, em Brasília, em 26 de setembro de 2017

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A onda de privatizações no Brasil se direciona para um enorme relicário de belezas naturais nas mãos do Estado, um filão inexplorado de centenas de ilhas, praias e parques naturais intocados para o turismo.

O plano ambicioso é tocado pelo ministro do Turismo, Marx Beltrão, que, na última terça-feira, recebeu a AFP em seu gabinete e afirmou estar convencido de que o Brasil deve reduzir a presença estatal na economia e acelerar as negociações para a chegada de grandes companhias aéreas e cadeias hoteleiras.

"O Brasil tem centenas de áreas que são patrimônio da União e que não têm nada instalado e têm um grande potencial turístico", afirmou Beltrão na entrevista.

"Nosso objetivo é identificar essas áreas e transformar elas em áreas especiais de interesse turístico e lançar em concessão com a iniciativa privada. Ou seja, fazer um planejamento, onde vai ter bar, restaurante, shopping, hotel, resort, tudo aquilo que possa construir naquela área e com essas concessões. O governo vai arrecadar de áreas que estavam ali praticamente só servindo de paisagem", completou.

Beltrão pretende avançar rapidamente, mas sem "loucuras", disse. Ainda ecoam no governo as críticas ferozes à tentativa recente de abrir uma reserva amazônica à exploração mineradora, que acabou sendo arquivada após uma enorme pressão de ambientalistas e celebridades.

- Barcos, aviões e México -

O plano de concessões vai começar na zona da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, onde ficam as Cataratas do Iguaçu, um dos principais destinos turísticos nacionais.

A agenda inclui, em uma estrada que parece longa e muito competitiva, regulamentar voos charter, conceder mais aeroportos à iniciativa privada e abrir o mercado aéreo a empresas que tenham 100% de capital estrangeiro.

O Fórum Econômico Mundial aponta o Brasil como o segundo destino mais competitivo da América Latina, atrás apenas do México, e em 27º em nível mundial, cinco lugares atrás do "rival" latino no negócio que representa 10% do PIB global.

Em 2016, o Brasil registrou um modesto recorde de 6,8 milhões de visitantes estrangeiros, impulsionado pelos Jogos Olímpicos. Neste mesmo ano, o México teve 35 milhões, segundo dados da Secretaria de Turismo.

"É muito pouco", lamentou Beltrão, que vai viajar a Paris para o congresso de Turismo da OCDE em 2 e 3 de outubro "para aprender" e para se reunir com os mexicanos.

"Um dos programas que o México fez (Cancún) no passado, nós queremos fazer aqui, que é transformar áreas especiais de interesse em turismo para atrair o investimento, com uma legislação ambiental favorável aos empresários e uma legislação fiscal favorável aos empresários", apontou.

- Cartão postal em crise -

Enquanto o país sonha com a potencialização do turismo, o Rio de Janeiro está cada vez mais afundado em uma crise de violência, que envolve autoridades e traficantes.

"O Rio está passando pela pior crise econômica, politica e de segurança e um ano atrás estava no seu ápice, com o turismo bombando, milhares de empregos, todo mundo feliz (...) O Rio é o cartão postal do Brasil e porta de entrada, quando se fala do Rio, se repercute mundialmente", disse.

O ministro projeta passar, nos próximos cinco anos, dos atuais 60 milhões de turistas domésticos por ano a 100 milhões, duplicar visitas de estrangeiros e criar 4 milhões de empregos.

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AFP