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Um imigrante guatemalteco segura uma bandeira dos Estados Unidos em uma manifestação em Miami, em 1º de maio de 2007.

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Dezenas de crianças pobres e em situação clandestina, algumas delas integrantes da recente onda de jovens que chegaram aos Estados Unidos, receberam nesta sexta-feira material escolar de organizações humanitárias em Miami, antes do início do ano letivo na próxima segunda-feira.

As crianças, principalmente centro-americanas, foram acompanhadas por seus familiares, alguns deles em condição ilegal, para receber o material das organizações em uma igreja de Miami, na Flórida (sudeste dos Estados Unidos).

"É algo muito maravilhoso, porque imagine vir para este país e alguém apoiar você. É algo muito especial, porque nem todas as pessoas te apoiam", disse à AFP a hondurenha Sheila Rivero, que chegou aos Estados Unidos há quatro meses junto com os dois filhos.

"Quando uma pessoa vem para este país, ela acredita que as coisas vão ser diferentes, que existirão mais oportunidades, mas não é assim, está complicado", admitiu essa mulher de 28 anos, que teve uma pulseira eletrônica instalada pelas autoridades migratórias ao entrar no país, e está à espera de ser deportada.

Se for expulsa, Rivero torce para que seus dois filhos, de 7 e 5 anos, possam ficar em Miami, onde as aulas começam na segunda-feira, completou.

"Não sei o que pode acontecer conosco lá. (...) Em Honduras, a situação está feia com os crimes e as gangues", desabafou.

Pelo menos 30 das 170 crianças que receberam o material escolar - entre mochilas, cadernos e lápis - estiveram presentes no ato. As demais, ausentes por medo das autoridades migratórias, irão recebê-lo de forma privada, explicou à AFP Francisco Portillo, presidente da organização pró-imigrantes Francisco Morazán.

"Estamos muito alegres, felizes, porque não é fácil. Essas famílias têm problemas econômicos, e nós estamos aqui para lhes dar uma mãozinha e para que essas crianças se sintam felizes", declarou.

Morazán indicou que algumas das crianças beneficiadas fazem parte da onda de jovens sem acompanhantes adultos que chegaram nos últimos meses à fronteira americana, gerando uma crise humanitária.

Quase 62.000 crianças, principalmente de Honduras, Guatemala e El Salvador, cruzaram sozinhas a fronteira clandestinamente desde outubro, segundo números oficiais. De acordo com as leis americanas, não podem ser deportadas imediatamente, razão pela qual são alojadas em albergues, ou entregues a famílias no país, enquanto seu destino é decidido.

AFP