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O líder da guerrilha Farc nas conversas de paz, em Havana, no dia 17 de setembro de 2015

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Os delegados de paz do governo colombiano e da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) encerraram nesta quinta-feira um ciclo de diálogo, no qual justiça e desarmamento foram tratados com enviados dos Estados Unidos, da ONU e da Unasul.

No encerramento deste ciclo, o 41º desde novembro de 2012, o chefe negociador das Farc, Iván Márquez, garantiu que a guerrilha está pronta para deixar as armas e se tornar um "movimento político aberto".

"Sobre a reincorporação das Farc à vida civil, estamos prontos para abordar e discutir os procedimentos para o trânsito de organização alçada em armas para movimento político aberto", disse Márquez à imprensa.

"A esse respeito, foi entregue aos representantes do governo um pacote de propostas básicas que esperam concretização", acrescentou.

O chefe negociador do governo, o ex-vice-presidente colombiano Humberto de la Calle, não falou com os jornalistas. Ele deve viajar para Bogotá e vai-se reunir com o presidente Juan Manuel Santos para informá-lo dos avanços dessa fase.

Nessa rodada, iniciada na sexta-feira passada, ambas as delegações de paz se reuniram com os enviados dos Estados Unidos, Bernie Aronson; da ONU, Jean Arnault; e da Unasul, José Bayardi. Nenhum deles conversou com a imprensa.

Solicitada em julho pelo governo colombiano e pela guerrilha, a presença em Havana dos enviados da ONU e da Unasul foi informada à imprensa. Mantida em segredo, a presença do americano foi confirmada por fontes de ambas as equipes negociadores.

Bernie Aronson se reuniu com os negociadores colombianos várias vezes, em Havana, desde que foi enviado pelo presidente Barack Obama em fevereiro passado. Já Arnault e Bayardi participaram, pela primeira vez, dessas negociações para pôr fim a meio século de conflito armado.

Washington designou Aronson depois do pedido feito em dezembro passado pelo presidente Santos para que os Estados Unidos "assumissem um papel mais direto" nas negociações de paz.

Até o momento, as partes chegaram a um consenso sobre três dos seis pontos da agenda e, agora, discutem sobre a indenização das vítimas, que inclui o tema da justiça. Em paralelo, uma "subcomissão" conjunta prepara planos para um cessar-fogo definitivo.

Os enviados da ONU e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), presidida pelo Uruguai, conversaram em Havana com os generais colombianos e comandantes guerrilheiros que integram a "subcomissão" conjunta de desarmamento. O objetivo é que esses organismos possam, eventualmente, contribuir com forças de paz e com mecanismos de verificação do cessar-fogo definitivo.

Desde julho, está em vigor na Colômbia uma trégua unilateral das Farc. Além disso, o presidente Santos ordenou a suspensão dos bombardeios contra posições rebeldes. Essas medidas permitiram uma desescalada desse conflito, que já deixou, segundo números oficiais, 220.000 mortos e seis milhões de deslocados.

Justiça e indenização

Neste ciclo, também se reuniram as equipes jurídicas de ambas as partes. Elas preparam um acordo sobre justiça para os crimes cometidos ao longo do conflito.

"O decisivo componente de justiça do sistema integral de Verdade, Justiça, Indenização (das vítimas) e Não Repetição está às portas de um entendimento" entre as partes, disse Márquez.

"Estão sendo construídos consensos sobre o cessar-fogo e sobre hostilidades, de modo bilateral e definitivo, e se avança na análise do aspecto de deposição das armas", por parte da guerrilha, acrescentou.

Os assessores jurídicos do governo colombiano são José Manuel Cepeda e Juan Carlos Henao e, do lado americano, Doug Cassel. Os representantes das Farc nessa equipe são os colombianos Álvaro Leyva e Diego Martínez, e o espanhol Enrique Santiago.

Essa rodada foi mais curta do que o habitual para não interferir na visita do papa Francisco, que chega sábado a Cuba. As negociações serão retomadas em 28 de setembro.

AFP