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A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay

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O balanço do conflito na Síria dobrou em um ano e chegou a mais de 190.000 mortes, segundo a ONU, que denuncia o fracasso da comunidade internacional em acabar com a guerra, onde os jihadistas ocupam agora o primeiro plano.

Os jihadistas do grupo ultrarradical Estado Islâmico (EI) ameaçam, de fato, os redutos da rebelião síria no país e tentam expulsar o Exército de seu último reduto no norte da província de Raqa.

Mais de 191.000 pessoas foram mortas desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, mais que o dobro há um ano, lamentou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, criticando a "paralisia internacional" que encoraja os "assassinos".

"Este é um número terrível, mas ninguém mais presta atenção", lamentou um porta-voz, Rupert Colville, introduzindo o novo relatório da ONU sobre os mortos na Síria.

Ele relatou "em torno de 5.000 e 6.000 vítimas por mês", ou cerca de 180 por dia, enquanto não há solução à vista para terminar o ciclo de guerra, cada vez mais complexa e multifacetada.

O conflito começou com a repressão sangrenta de protestos pacíficos contra o regime, levando a uma rebelião armada que degenerou ao longo dos meses em uma guerra generalizada. A ascensão dos jihadistas, incluindo os do EI, enfraqueceu a rebelião, já minada por rivalidades entre seus patrocinadores árabes, a Arábia Saudita e o Catar.

Na quinta-feira, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma ONG que se baseia em uma ampla rede de fontes civis, médicas e militares e que contabiliza as baixas civis, militares e rebeldes diariamente, relatou mais 180 mil mortos, um terço de civis.

Paralisia internacional

De acordo com o Alto Comissariado, que não consegue distinguir combatentes e civis, pelo menos 8.803 crianças, incluindo 2.165 com menos de 10 anos de idade, foram mortas, enquanto o maior número de assassinatos foram registrados na província de Damasco (39.393), seguido de Aleppo, a antiga capital econômica do país, com 31.932 mortes.

O relatório da ONU é publicado um dia depois do primeiro aniversário do ataque químico que deixou centenas de mortos perto de Damasco, um crime que regime e oposição negaram envolvimento e que permanece impune.

A Alta Comissária, Navi Pillay, também denunciou em um comunicado que o sofrimento do povo sírio "quase não atrai mais a atenção", enquanto mais da metade da população vive na pobreza extrema e nove milhões pessoas foram expulsas de suas casas.

Ela lamentou que o Conselho de Segurança da ONU, paralisado pelas divergências entre americanos, que apoiam a oposição, e os russos, que apoiam o regime, não conseguiu acionar o Tribunal Penal Internacional sobre as "graves acusações" de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Referindo-se aos jihadistas do EI, ela afirmou que "os assassinos, destruidores e torturadores na Síria e no Iraque foram incentivados e encorajados pela paralisia internacional".

70 jihadistas mortos

O EI, que semeia o terror nos territórios que controla no Iraque e na Síria e que anunciou um califado islâmico no final de junho, reivindica atos de crucificação, apedrejamento, chibatadas e decapitações, como a do jornalista americano James foley na última terça-feira.

Nesta sexta-feira, o OSDH informou que pelo menos 70 membros deste grupo jihadista morreram desde quarta-feira em intensos combates ​​contra o Exército sírio na periferia da Tabqa, o último bastião do regime de Bashar al-Assad na província de Raqa.

O EI controla extensas áreas do norte e leste da Síria, especialmente da província de Raqa, onde expulsou o Exército de duas bases principais, matando mais de cem soldados.

Os ataques levaram o governo a lançar uma campanha de bombardeios aéreos sem precedentes contra as posições do EI, enquanto as duas partes se evitavam até o momento.

O EI também está envolvido em um sangrento confronto com os rebeldes, que o acusam de roubar sua "revolução" contra o regime de Assad.

AFP