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(14 jun) Apreensão de 860 kg de cocaína na República Dominicana

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O mercado mundial da droga "está prosperando" e "se diversificando" com uma produção de cocaína e ópio em alta, o desenvolvimento de substâncias sintéticas e um aumento da mortalidade por opiáceos, afirma o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDC).

"Ultimamente se vem prestando especial atenção às ameaças representadas pela metanfetamina e as novas substâncias psicoativas (NSP). No entanto, como mostra o relatório, tanto a fabricação de cocaína como a de opioides estão aumentando", aponta Yuri Fedotov, diretor da ONUDC, que publicou seu relatório anual nesta quinta-feira.

Estas drogas tradicionais "continuam sendo preocupantes", acrescenta.

Cerca de 250 milhões de pessoas, o que representa 5% da população adulta mundial, consumiram drogas ao menos uma vez em 2015.

Todas as substâncias analisadas pelo ONUDC apresentam tendências inquietantes.

"O cultivo do arbusto de coca, após um prolongado declínio, aumentou 30% durante o período entre 2013 e 2015, principalmente como resultado do aumento registrado na Colômbia", primeiro produtor mundial, indica o relatório.

Dessa forma, em 2015 o volume de fabricação mundial de cloridrato de cocaína puro subiu para 1.125 toneladas, ou seja, um aumento global de 25% em relação a 2013.

O consumo também parece aumentar tanto nos Estados Unidos como na Europa, onde "se deduz da análise das águas residuais" que subiu 30% entre 2011 e 2016.

Quanto ao ópio, em 2016 a produção mundial aumentou em um terço em relação ao ano anterior, devido a um maior rendimento no Afeganistão favorecido por melhores condições meteorológicas.

No entanto, sua produção mundial, de 6.380 toneladas, é 20% menor que o máximo alcançado em 2014 e próxima à média dos cinco anos anteriores.

Por países, a situação nos Estados Unidos é particularmente preocupante: a heroína confiscada "aumentou significativamente em 2015", segundo o relatório, que fala de uma "verdadeira epidemia" de consumo combinado de medicamentos opiáceos por prescrição médica e heroína.

Nesse país ocorrem cerca de 25% das mortes por drogas no mundo, majoritariamente por opiáceos, e as overdoses triplicaram entre 1999 e 2015, passando de 16.849 a 52.404 por ano.

O relatório cita a decisão do governo do Uruguai de regulamentar, a partir de 2013, o cultivo, produção, venda e consumo de cannabis para uso recreativo e medicinal.

No entanto, aponta que "só se saberá" as repercussões desta medida "uma vez que tenham sido aplicadas plenamente".

- Grupos armados e criminosos -

As metanfetaminas, cujo uso é muito instalado no leste e sudeste da Ásia, agora "suscitam uma preocupação crescente na América do Norte e em algumas partes da Europa".

"Também aumentou consideravelmente a apreensão de anfetamina na América Central e no sudoeste da Ásia", ressalta.

O organismo da ONU expressa sua frustração ante a falta de dados sobre os modelos econômicos do narcotráfico, que envolvem criminalidade organizada e grupos armados.

Em 2014, a venta de drogas representou entre um quinto e um terço das receitas dos grupos criminosos transnacionais.

Em 2015, 40% dos confiscos mundiais de heroína e de morfina ocorreram em países situados na chamada rota dos Bálcãs, principal itinerário do tráfico de opiáceos. Mas "parece estar ganhando importância" uma via alternativa que rodeia a Turquia e cruza os países do Cáucaso para chegar à Ucrânia e à Romênia.

Grupos armados também tiram proveito do comércio de drogas, aponta o relatório, citando a decisão das Farc, em 2016, de cessar sua participação no negócio da cocaína após o acordo de paz com o governo da Colômbia.

Citando várias fontes, o texto estima em um bilhão de dólares os rendimentos anuais obtidos com as drogas até então pela guerrilha.

O ONUDC cita principalmente os talibãs no Afeganistão - território onde se situam 85% dos cultivos de papoula para a produção de ópio -, o grupo jihadista nigeriano Boko Haram e a Al Qaeda no Magrebe Islâmico.

O relatório estima que em 2016 o comércio ilícito de opiáceos afegãos gerou 150 milhões de dólares para os grupos armados.

AFP