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(Arquivo) A alta comissária da ONU Navi Pillay

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A ONU acusou nesta segunda-feira os jihadistas do Estado Islâmico (EI) de promoverem uma "limpeza étnica e religiosa" no Iraque e na Síria, onde as autoridades se disseram prontas a cooperar com a comunidade internacional para "lutar contra o terrorismo".

No terreno, o EI obteve uma importante vitória na Síria ao conquistar no domingo o aeroporto militar de Raqa, mas perdeu terreno do lado iraquiano. O grupo proclamou no final de junho um califado entre os dois países, onde controla extensas áreas de território.

"O Estado Islâmico e os grupos armados associados cometem a cada dia graves e horríveis violações dos direitos humanos. Atacam sistematicamente homens, mulheres e crianças em função de sua origem étnica, religiosa ou sectária, e realizam uma limpeza étnica e religiosa sem piedade nas regiões que controlam", denunciou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, em um comunicado.

"Tais atos poderiam constituir crimes contra a humanidade", completa a nota da comissária, que condena as "violações sistemáticas e generalizadas dos direitos humanos", principalmente contra as comunidades cristãs, yazidis, shabaks e turcomanas.

"Apelo à comunidade internacional que assegure que os autores destes crimes odiosos não fiquem impunes", insistiu Pillay.

Enquanto o chefe da diplomacia iraquiana, Hoshyar Zebari, pediu no domingo a ajuda das capitais estrangeiras contra a ofensiva do EI, o regime de Damasco declarou por sua vez nesta segunda-feira estar "pronto para cooperar e coordenar" com a comunidade internacional a luta contra o terrorismo no âmbito da resolução 2170 do Conselho de Segurança da ONU.

Esta resolução visa impedir o recrutamento e financiamento de jihadistas na Síria e no Iraque.

No entanto, o chefe da diplomacia síria, Walid Moallem, ressaltou que qualquer ataque americano contra os jihadistas na Síria deve ser coordenado com Damasco, porque caso contrário, seria uma agressão.

'Necessidade de agir com seriedade'

Washington, que realizou desde 8 de agosto mais de 90 ataques contra o EI no norte do Iraque, endureceu o tom nos últimos dias, expressando a determinação em prosseguir os ataques e alcançar a Síria, onde o grupo extremista combate os rebeldes e o regime de Bashar al-Assad.

Após a execução sumária do jornalista americano James Foley, Washington anunciou uma resposta, apesar da ameaça do EI de matar um segundo refém americano se os ataques continuarem.

"Se você ataca americanos, nós iremos buscá-lo onde quer que esteja", declarou Ben Rhodes, vice-conselheiro de Segurança Nacional da presidência americana, citada pelo Wall Street Journal.

Sinal da crescente preocupação também no mundo árabe, a Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar e Jordânia apontaram no domingo "para a necessidade de agir com seriedade" contra o EI.

Ataques jihadistas repelidos

No norte do Iraque, os curdos, apoiados pela força aérea iraquiana, conseguiram retomar nesta segunda-feira três aldeias ao norte de Bagdá, na província de Diyala, e uma das principais estradas controladas pelo EI.

Os peshmergas também estão prestes a retomar o controle de todas as entradas Jalawla, uma cidade estratégica "por ser a porta de entrada para Bagdá", indicou à AFP Shirko Merwais, líder de um partido curdo.

Os curdos também conseguiram repelir com sucesso dois ataques contra a cidade xiita de Tuz Khurmatu, 175 km ao norte de Bagdá, depois de terem retomado no domingo Qaraj, ao sudeste de Mossul (norte), maior cidade a cair nas mãos dos rebeldes em 10 de junho.

Os jihadistas lançaram a ofensiva em 9 de junho, conquistando extensas áreas de território em cinco províncias do país, o que resultou na fuga de dezenas de milhares de pessoas, incluindo membros das minorias.

Desta forma, cerca de 200.000 yazidis foram expulsos de suas casas desde o início de agosto, e dezenas de outros foram mortos.

Além da ameaça jihadista, Bagdá deve apaziguar as tensões sectárias alimentadas por um ataque que matou 70 pessoas na sexta-feira contra uma mesquita sunita na região de Diyala e que levou a confrontos entre sunitas e xiitas.

Embora o ataque tenha sido atribuído a uma milícia xiita, o primeiro-ministro Haidar al-Abadi disse que grupos armados devem permanecer "sob a direção do Estado".

Nesta segunda-feira, um atentado suicida contra uma mesquita xiita no leste de Bagdá matou 11 pessoas.

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AFP