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Menina síria posa com um cartucho de bala no subúrbio de Jazra, a oeste de Raqa, depois que a área foi retomada dos jihadistas pelas Forças Democráticas Sírias

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A ONU estimou nesta quarta-feira que cerca de 100.000 civis estão "bloqueados" em Raqa, principal reduto do grupo extremista Estado Islâmicos (EI) na Síria, que as Forças Democráticas Sírias (FDS) tentam recuperar.

"Com a intensificação dos ataques aéreos e combates no chão, o número de vítimas civis aumenta e as vias de fuga se fecham, uma após a outra", declarou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em um comunicado.

Segundo dados recolhidos pelo organismo, "cerca de 100.000 civis estão atualmente bloqueados" em Raqa e "ao menos 173 civis – uma estimativa prudente, uma vez que o número poderia ser muito maior - foram mortos nos combates desde 1º de junho".

Localizada no norte do país e às margens do rio Eufrates, Raqa contava com cerca de 300.000 habitantes, em sua maioria árabes sunitas.

A cidade também era habitada por milhares de cristãos armênios e siríacos, enquanto os curdos chegavam a representar 20% de sua população.

A batalha de Raqa é a mais emblemática para as FDS, que estão envolvidas nos combates contra os extremistas há vários meses com o apoio de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

A coalizão realiza ataques aéreos e fornece conselheiros, armas e equipamentos para as tropas das FDS, uma aliança árabe-curda.

"Os bombardeios das últimas três semanas em Raqa deixaram os civis em um estado de completo terror e confusão. Eles tentam se refugiar das atrocidades cometidas pelos soldados do Daesh (acrônimo em árabe do EI) e dos combates conduzidos para derrotá-los", revela o alto comissário, Zeid Ra'ad Al Hussein, citado em um comunicado.

"O grande número de vítimas civis mostra que as partes devem se esforçar muito mais para assegurar a proteção da população civil", acrescentou.

Zeid pede às partes envolvidas no conflito que implementem medidas que permitam os civis de fugir em segurança dos combates.

Também lança um apelo a todas as forças, incluindo as tropas apoiadas pela coalizão internacional, para que sejam vigilantes quanto ao respeito das leis internacionais e investiguem "de forma rápida e eficaz" todas as denuncias de vítimas civis.

Segundo o Alto Comissariado, as FDS "também seriam acusadas de violações dos direitos Humanos e de abusos de seus direitos nas áreas que controlam, principalmente na cidade de Tabqa".

Nesse sentido, o comunicado cita "saques, sequestros e detenções arbitrárias, bem como o recrutamento de crianças".

Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os combatentes sírios apoiados pelos Estados Unidos controlam 25% da cidade de Raqa.

O EI controla desde 2014 a cidade de Raqa, sua capital 'de fato' na Síria.

AFP