A ONU pediu, nesta sexta-feira (11), um aumento nas medidas de proteção aos operários do Catar devido às altas temperaturas, após os problemas que surgiram no Mundial de atletismo disputado recentemente no país do Golfo.

Com temperaturas de 40ºC registradas durante o dia, mais de 30ºC no fim de tarde e 75% de umidade no ar, o Mundial de atletismo viu um recorde de abandonos de atletas, apesar da programação noturna e da multiplicação de paradas para hidratação nas provas.

O Catar se prepara para acolher a Copa do Mundo de futebol de 2022 e mais de 26.000 operários estrangeiros participam na construção ou renovação dos oitos estádios previstos para a competição, apesar do calor e das condições denunciadas pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

Um relatório, publicado nesta sexta-feira e encomendado pelo Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência das Nações Unidas, e o Ministério do Trabalho do Catar, apoia as medidas destinadas a mitigar os efeitos do calor para 4.000 operários de uma obra para a Copa do Mundo de 2022, incentivando outros empregadores a fazer o mesmo.

"Estamos trabalhando com o governo para incorporar as recomendações deste relatório em uma legislação aperfeiçoada e promover as boas práticas identificadas", afirmou Houtan Homayunpour, diretor da OIT no Catar.

Nos locais mais expostos, a atual lei do Catar prevê uma interrupção do trabalho entre às 11H30 e às 15H00 entre os meses de maio e outubro.

-Riscos cardiovasculares-

Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch (HRW) pediu ao Catar "que investigue minuciosa e urgentemente" a morte de operários, após a publicação de outro relatório, vinculado desta vez às mortes causadas por acidentes cardiovasculares devido aos efeitos do calor.

Este estudo, publicado pelo Diário de Cardiologia em julho, mostrou a "relação entre a exposição ao calor e a morte de mais de 1.300 operários nepaleses entre 2009 e 2017", segundo a HRW.

"O Catar trabalha sem descanso há anos (...) para garantir o bem-estar e a segurança de todos os trabalhadores", se defendeu em comunicado o porta-voz do governo, o xeque Jasim bin Mansur al Thani.

"Dizer o contrário é falso. Nosso trabalho com as organizações internacionais e nossos parceiros levou o Catar a uma posição de vanguarda no que diz respeito à saúde e à segurança dos trabalhadores da região", insistiu.

O relatório encomendado pela OIT, realizado por pesquisadores da universidade grega de Tesalia, estudou 5.500 horas de trabalho no Catar, incluindo as horas de trabalho dos operários que constroem um dos estádios para a Copa do Mundo.

Para lutar contra a insolação, os trabalhadores têm direito a multiplicar as pausas à sombra e são incentivados a beber muita água, apontaram os pesquisadores, que recomendam às empresas realizarem exames médicos anuais nos funcionários.

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