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Refugiados rohingyas esperam por comida em Gumdhum, Bangladesh, em 26 de setembro de 2017

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta quinta-feira a Mianmar o "fim das operações militares" no oeste do país e denunciou um "pesadelo humanitário" pouco depois da morte de 15 refugiados rohingyas em um naufrágio ao tentar fugir do país.

Uma nova tragédia atingiu a minoria muçulmana rohingya quando um barco de refugiados que zarpou na quarta-feira à noite de uma aldeia costeira de Rakhine rumo a Bangladesh naufragou perto da praia. Foram encontrados 15 corpos, 10 deles de crianças.

Em uma incomum reunião pública do Conselho de Segurança sobre Mianmar - a última remonta a 2009 -, Guterres pediu ao governo birmanês o "acesso humanitário" para o oeste do país e que "assegurem o retorno em segurança, voluntário, digno e duradouro" dos refugiados que fugiram de Bangladesh a suas regiões de origem.

O número de rohingyas que chegaram a Bangladesh desde o fim de agosto para fugir da violência em Mianmar superou nesta quinta-feira a simbólica cifra de meio milhão, segundo os últimos números da ONU.

No total, 501.800 pessoas fugiram dali, o que representa um dos deslocamentos de populações mais importantes da Ásia ao longo do século.

Na reunião, que contou com a presença de representantes birmanês e bengalês, não estava prevista nenhuma declaração comum do Conselho de Segurança, que continua dividido sobre a questão.

Para além das habituais condenações de violência e dos chamados a acabar com os combates, Pequim, apoiado por Moscou, repudia qualquer ingerência nos assuntos internos birmaneses.

A China é o principal apoio de Mianmar, onde tem importantes interesses econômicos, sobretudo no oeste. É nesta região que o Exército birmanês está realizando uma campanha de repressão, consequência dos ataques dos rebeldes rohingyas em 25 de agosto.

O fato de sete países dos 15 membros do Conselho de Segurança pedirem uma reunião "pública" sobre Mianmar, e de o secretário-geral da ONU participar para avaliar a situação, significa um avanço importante, concordam diplomatas ocidentais.

- Pequim sob pressão -

O objetivo é "colocar sob pressão birmaneses e chineses", assinalou um deles, que pediu anonimato. Este encontro "é um claro sinal para Mianmar", insistiu outro. "Não podemos permanecer calados", afirmou o embaixador francês, François Delattre.

As últimas reuniões desde o fim de agosto foram realizadas a portas fechadas.

E os chamados da ONU para acabar com a repressão, permitir acessos humanitários na parte oeste do país e o retorno dos rohingyas ficaram sem valor.

Pela primeira vez desde o início do novo surto de violência, representantes da ONU poderiam ter acesso nesta quinta à zona de conflito em Rakhine, em uma visita "organizada" pelo governo birmanês. Mas no último momento, as autoridades adiaram a viagem até a próxima semana, oficialmente por causa do tempo ruim.

- Limpeza étnica -

Os rohingyas, maior população apátrida do mundo, são considerados estrangeiros em Mianmar, país com mais de 90% da população budista.

A ONU considera que o Exército birmanês e as milícias budistas conduzem uma limpeza étnica contra esta comunidade no estado de Rakhine.

O êxodo dos rohingyas para Bangladesh, uma nação pobre do sul da Ásia de maioria muçulmana, paralisou o país.

Nos gigantescos campos de refugiados ao longo da fronteira, as autoridades e as ONGs estão sobrecarregadas pela maré humana e se preocupam cada vez mais com os riscos para a saúde. As condições atuais são propícias para o aparecimento de surtos de cólera, disenteria, ou diarreia.

Alvo de críticas, Mianmar denuncia um viés pró-rohingya da comunidade internacional e destaca os quase 30.000 budistas e hindus que também foram deslocados desde o final de agosto, em razão da crise.

Com grande dificuldade, a líder birmanesa, Aung San Suu Kyi, tenta preservar um equilíbrio frágil com um Exército muito poderoso. Em discurso na semana passada, a Prêmio Nobel da Paz garantiu estar aberta a um retorno dos refugiados, mas de acordo com critérios que permanecem ambíguos.

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AFP