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Opas alerta sobre impacto "desproporcional" de COVID-19 em indígenas e mulheres

Indígenas da comunidade Parque das Tribos se abraçam no funeral do cacique Messias, de 53 anos, da tribo Kokama, vítima do novo coronavírus, em Manaus, 14 de maio de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 19. maio 2020 - 16:15
(AFP)

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou nesta terça-feira sobre o impacto "desproporcional" da pandemia do COVID-19 sobre povos indígenas e mulheres nas Américas, colocando-os entre os grupos vulneráveis para os quais pediu proteção para colocar a região "no caminho da recuperação".

"Estamos cada vez mais preocupados com os pobres e outros grupos vulneráveis com maior risco de doença e morte pelo coronavírus", disse a diretora da Opas, Carissa Etienne, destacando "grupos indígenas que vivem na Bacia Amazônica" e "mulheres em nossa região".

A curva de contágio do novo coronavírus, relatado em dezembro na China e declarado pandemia em 11 de março pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cresce nas Américas depois de achatar ou cair no resto do mundo.

Mais de dois milhões de contágio e mais de 121.000 mortes foram registradas na segunda-feira nas Américas, "um aumento surpreendente de 14%" em relação à semana anterior, disse Etienne durante a videoconferência semanal da Opas, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Etienne alertou sobre a situação na Amazônia, que abriga mais de 2.400 territórios indígenas em oito países: Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname.

O perigo é tanto em aldeias isoladas, com difícil acesso a serviços de saúde, quanto em cidades densamente povoadas, como Manaus, Iquitos e Letícia.

"Já confirmamos 20.000 casos de COVID-19 nas províncias que compõem a bacia amazônica, onde a incidência tende a ser o dobro, em comparação com outros estados dos mesmos países. Sem ação imediata, essas comunidades enfrentarão um impacto desproporcional", advertiu.

Etienne lembrou que as populações indígenas estão expostas a altas taxas de insegurança alimentar, diabetes tipo 2 e doenças endêmicas como tuberculose e malária, "o que as torna mais propensas a sofrer o fardo dessa pandemia".

Ela também pediu o cuidado com as mulheres, que considerou "afetadas desproporcionalmente pelo COVID-19".

"As mulheres em nossa região enfrentam disparidades de renda, falta de acesso adequado aos serviços de saúde e são frequentemente sujeitas à violência de gênero. Além disso, as mulheres representam 70% da força de trabalho em saúde nas Américas", disse.

Entre os grupos de risco para sofrer "discriminação estrutural" e "desigualdade racial" também incluíam populações negras na América Latina.

"Frequentemente, deixamos de priorizar a saúde e o bem-estar dos mais vulneráveis. Isso deve mudar se quisermos deter a disseminação da COVID-19 e, ao mesmo tempo, estarmos preparados para enfrentar futuras pandemias", afirmou Etienne.

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