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Pouco antes de se reunir com seus colegas em Viena, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, líder de fato do grupo, assegurou que a renovação será nas mesmas condições do ano passado

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Os países da Opep e seus sócios decidiam nesta quinta-feira uma prorrogação por nove meses, até março de 2018, de seu acordo para limitar a produção de petróleo, apesar das dúvidas do mercado sobre seu efeito nos preços.

"Foi ratificada a decisão de prorrogar por nove meses" os cortes, anunciou o ministro equatoriano do Petróleo, Carlos Pérez, ao final da reunião na sede, em Viena, da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Pouco antes de se reunir com seus colegas, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, líder de fato do grupo, assegurou que a renovação será nas mesmas condições do ano passado.

O pacto firmado em novembro passado, o primeiro importante em anos de um cartel que parecia ter perdido sua capacidade de influência, levou 24 países de dentro e de fora da Opep a reduzir sua produção em um total de 1,8 milhão de barris diários (MBD) em relação aos níveis de outubro de 2016.

O resultado é um barril que agora se aproxima dos 50 dólares, preço que ainda é menos da metade em comparação ao de 2014.

"A ideia é levar agora os inventários a níveis similares à média dos últimos cinco anos", declarou o ministro venezuelano do Petróleo, Nelson Martínez.

Este é um objetivo compartilhado por seus sócios do grupo, que representa 40% da produção mundial.

Diante da queda de preços provocada pelo petróleo de xisto nos Estados Unidos, cada vez mais competitivo, os 13 membros da e outros grandes produtores mundiais, entre eles a Rússia, concordaram no ano passado em limitar sua produção.

O principal objetivo é reduzir os estoques e apoiar a alta dos preços, um acordo enfim renovado nesta quinta-feira.

"Para estabilizar o mercado precisamos de várias condições, a principal delas é regularizar o tamanho dos inventários", reafirmou o ministro venezuelano.

Desde o acordo histórico do ano passado, o barril varia entre 45 e 55 dólares em Nova York, muito distante do mínimo de 26 dólares que alcançou em fevereiro de 2016.

Nesta quinta-feira, pouco antes do anúncio, o preço do barril alcançou o preço máximo em um mês (54,67 dólares o Brent e 52,00 o WTI), mas logo caiu cerca de dois dólares.

"Os mercados já contavam com uma prorrogação de nove meses e como não há surpresas os preços não caíram", explicou à AFP Deshpande Abhishek, analista do Natixis.

As negociações não foram fáceis. Entre os países relutantes em prorrogar o acordo estava o Iraque, que necessita da receita para financiar sua guerra contra os extremistas, mas que finalmente decidiu aceitar o plano.

Nigéria e Líbia, que também enfrentam problemas internos, podem seguir isentos de cumprir os cortes.

A Opep também anunciou oficialmente nesta quinta-feira a entrada da Guiné Equatorial no cartel e explicou que o país africano também participará nos esforços de redução.

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