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Polícia dispersa manifestantes em favela de Nairóbi

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A oposição denunciou uma fraude nas presidenciais de terça-feira que dão a reeleição a Uhuru Kenyatta, desatando nesta quarta-feira protestos e confusões que deixaram quatro mortos em dois incidentes separados.

No dia seguinte das eleições, qualificadas como fraudulentas pelo candidato opositor Raila Odinga, a polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo contra os centenas de manifestantes aglomerados nos redutos da oposição, onde costumam acontecer este tipo de tumulto em períodos eleitorais, principalmente em Kisumu.

Mas no subúrbio de Mathare, em Nairóbi, a polícia também contou com munição letal, matando pelo menos duas pessoas.

O chefe da polícia de Nairóbi assegurou que tentaram atacar policiais "com facões". Uma fonte policial, que não quis ser identificada, afirmou que os dois mortos integravam um grupo de manifestantes, no qual havia ladrões que se aproveitaram da situação caótica.

No condado de Tana River, por sua vez, homens armados com facas atacaram um colégio eleitoral onde estava acontecendo a recontagem. Dois deles foram mortos pela polícia. "Ainda não estabelecemos a causa" dos atos, declarou Larri Kieng, chefe regional da polícia, ao ser questionado sobre se poderia ser um ataque dos islamitas somalis do Al-Shabaab, muito ativos nessa área.

A Comissão Eleitoral (IEBC) publicou no fim da tarde desta quarta-feira os resultados transmitidos eletronicamente por quase 97% dos colégios eleitorais, que davam ao presidente em fim de mandato, Uhuru Kenyatta, 54,31% dos votos, contra 44,81% obtidos por Odinga, em um total de 14,7 milhões de votos apurados.

"Trata-se de uma fraude de gravidade monumental, não houve eleições", denunciou à imprensa Odinga, candidato da coalizão de oposição Nasa.

Segundo Odinga, hackers "manipularam" a eleição a favor do presidente em fim de mandato tomando o controle do sistema de contagem de votos, graças aos códigos de acesso de um responsável em informática da Comissão Eleitoral, assassinado pouco mais de uma semana antes.

No entanto, essas acusações foram desmentidas pela IEBC. "Nosso sistema de gestão das eleições é seguro. Não ocorreram interferências externas ou internas no nosso sistema, em nenhum momento, nem antes, nem durante, nem depois da votação", afirmou Ezra Chiloba, diretor executivo da comissão.

Odinga também pediu calma aos quenianos, antes de acrescentar: "eu não controlo o povo".

- Tiros de advertência -

O presidente da IEBC, Wafula Chebukati, destacou que os resultados publicados on-line não são "definitivos", pois devem ser validados pelas atas dos colégios eleitorais, cujo recolhimento ainda pode levar vários dias, disse.

Durante esse tempo, em Kisumu, um dos redutos da oposição, dezenas de partidários de Odinga se manifestaram e queimaram pneus. "Se Raila não for presidente, não poderemos ter paz", gritou um deles, enquanto a polícia dispersava a multidão com bombas de gás lacrimogêneo.

Em Nairóbi, a polícia antidistúrbios, enviada a várias áreas, interveio em Mathare e Huruma, principalmente com tiros de advertência.

Candidato à presidência pela quarta vez, Raila Odinga questionou os resultados nas eleições de 2007 e 2013.

Em 2007, o Quênia viveu dois meses de violência político-étnica e repressão policial, deixando pelo menos 1.100 mortos e mais de 600.000 deslocados.

Em 2013, Odinga denunciou fraudes após a vitória de Kenyatta desde o primeiro turno, apoiando-se na decisão do sistema eletrônico.

- Temores de violência -

Antes das eleições, para que as autoridades colocassem à disposição 150.000 membros das forças de segurança, vários observadores quenianos e internacionais manifestaram o seu temor de que ocorressem incidentes no momento do anúncio dos resultados da presidencial, o que em parte foi confirmado.

A campanha de 2017 foi especialmente dura, com a oposição acusando incansavelmente o campo presidencial de preparar uma fraude.

A votação ocorreu sem incidentes na terça-feira na maior parte do 41.000 centros eleitorais. Os cerca de 19,6 milhões de eleitores desta ex-colônia britânica de 48 milhões de habitantes também elegeram governadores, deputados, senadores, representantes locais e representantes de mulheres na Assembleia.

Nas urnas se enfrentavam o filho do primeiro presidente do país após a independência, Jomo Kenyatta, e filho o de Jaramogi Oginga Odinga, que foi vice-presidente por um breve período antes de ser afastado do poder por Jomo.

O voto no Quênia costuma ser baseado em sentimentos de pertencimento étnico, mais do que em programas. Kenyatta, que pertence à etnia kikuyu, e Odinga, à luo, estabeleceram duas poderosas alianças eleitorais.

AFP