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(Arquivo) O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro

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Milhares de opositores venezuelanos foram às ruas em Caracas, neste sábado (8), em protesto contra o governo de Nicolás Maduro durante o qual manifestantes e policiais se enfrentaram.

Esta foi a quarta manifestação em uma semana, marcada pela rejeição a uma decisão que bloqueia a candidatura presidencial de Henrique Capriles.

Os confrontos começaram quando os manifestantes mudaram o trajeto, de última hora, dirigindo-se para a Defensoria do Povo, no centro, reduto chavista e onde ficam as sedes dos Poderes públicos.

Na altura do setor La Campiña, defrontaram-se com uma barreira de policiais e de efetivos da Guarda Nacional que lançavam bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água, além de atirar com balas de borracha. Um pequeno grupo de jovens com o rosto coberto respondeu com pedras. Pelo menos dois policiais foram atingidos por bombas incendiárias.

Após quase duas horas de embate, a oposição se dispersou para outros pontos, mas alguns focos de conflito permaneceram.

No centro, adeptos do chavismo faziam um ato multitudinário, o qual chamaram de "grande tomada cultural, esportiva e recreativa".

Originalmente, os opositores se concentraram em uma rua do leste da capital, mas Capriles convocou a multidão para seguir até a Defensoria do Povo.

No setor de Chacao (leste), de onde saiu a marcha, dezenas de manifestantes lançaram pedras, pedaços de pau e bombas incendiárias a um edifício administrativo do máximo tribunal, deflagrando uma nova batalha campal com homens da militarizada Guarda Nacional e policiais.

"É preciso chegar aonde quer que seja. O povo está cansado de tanta corrupção, fome e miséria", disse à AFP a estudante de Optometria Vanessa García, de 37 anos.

"Nos receberam com gás e balas de borracha. Insistem em se colocar do lado da ditadura, mas vamos seguir adiante", garantiu o deputado opositor Juan Andrés Mejía.

Carregando fotos do líder e figura emblemática da oposição, os manifestantes acusaram Maduro mais uma vez de liderar uma "ditadura" que afundou a Venezuela na "miséria".

"Isso que acabam de fazer com Capriles é produto de uma tirania. Essas pessoas fazem o que querem", disse Adel AFP Rincones, um ex-atleta de 61 anos.

Vestido com o uniforme da seleção olímpica da Venezuela, Rincones chegou a Chacao (leste) com um cartaz, no qual se lia: "A Venezuela está ferida no coração, com fome, miséria, corrupção, ditadura".

"Acham que inabilitando Capriles vão calá-lo, e vai ser exatamente o contrário. Agora é que vem a luta", disse o agente imobiliário Aixa Hernández, de 55 anos.

Também houve manifestações em cidades como San Felipe, La Victoria (norte) e San Cristóbal (oeste), onde homens mascarados que estariam armados fizeram detonações, afugentando as pessoas, contou à AFP Marisol Blanco, comerciante de 32.

Capriles foi notificado na sexta-feira (7) pela Controladoria sobre a inabilitação para exercer cargos públicos por 15 anos, o que acaba com suas possibilidades de se candidatar pela terceira vez à presidência nas eleições de dezembro de 2018. A oposição acusa o órgão de servir ao governo.

'Queremos marchar'

O líder opositor, um advogado de 44 anos, anunciou que recorrerá da sanção, imposta por supostas irregularidades administrativas como governador de Miranda (norte), cargo que ocupa desde 2008.

"Quem ri por último, ri melhor! Nos veremos nas ruas da Venezuela @nicolasmaduro. Não haverá descanso", prometeu ele no Twitter, neste sábado.

A concentração chegou a reunir cerca de 4.000 pessoas, incluindo os principais dirigentes da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD), que pronunciavam discursos inflamados acompanhados pelo coro: "Liberdade, liberdade!" e "o povo irritado exige seus direitos!".

"Só vamos conseguir (a saída do governo) se mantivermos a resistência", declarou o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Feddy Guevara.

Esta é a quarta manifestação opositora desde o último sábado, quando centenas de pessoas saíram às ruas para rejeitar duas decisões, por meio das quais o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) assumia temporariamente os poderes do Parlamento - de maioria opositora - e retirava a imunidade dos deputados.

Também houve protestos na terça e na quinta-feiras, os quais acrescentaram reivindicações como eleições gerais no país. Agora, a oposição planeja novos atos para a Semana Santa.

As sentenças foram anuladas parcialmente após forte rejeição internacional e denúncias da procuradora-geral Luisa Ortega, chavista confessa, de que constituíam uma "violação da ordem constitucional", o que abriu uma fissura no governismo.

"Queremos protestar", gritavam alguns antes de se dirigirem ao centro.

Maduro denuncia as manifestações como um plano para "encher as ruas de sangue" e tentar derrubá-lo.

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AFP