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Opositores venezuelanos bloqueiam ruas e avenidas, no dia 24 de junho de 2017

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A oposição marchou de novo neste sábado (1º), no momento em que se completa três meses de protestos diários contra o presidente Nicolás Maduro, em uma Venezuela sem perspectiva de arrefecimento da crise nacional no horizonte próximo - segundo analistas.

Cerca de 3.000 manifestantes caminharam até a principal autoestrada de Caracas para expressar seu apoio à procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega. Em meio aos protestos, que já deixaram 89 mortos, essa chavista histórica se transformou em ferrenha adversária de Maduro, rejeitando sua convocatória a uma Assembleia Constituinte.

Na próxima terça-feira (4), a procuradora-geral deve comparecer ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que avaliará se ela será processada. Uma decisão nesse sentido pode levar à sua destituição do cargo.

"Temos que nos organizar para evitar a eleição dessa Constituinte. Se não quisermos, não haverá Constituinte", disse o deputado Carlos Paparoni.

Luisa Ortega agradeceu o apoio: "A confiança de vocês fortalece nossa luta institucional. A defesa da Constituição é tarefa de todos", escreveu no Twitter.

Nos últimos três meses "o mais importante que conseguimos foi criar consciência de que a luta para restituir a democracia é dever de cada um", disse à AFP a médica Patricia Valenzuela, 43 anos, que participou da passeata.

A procuradora-geral se afastou do governo, denunciando uma ruptura da ordem constitucional por decisões do TSJ que reduziram os poderes do Legislativo.

Ela também travou uma batalha judicial contra os magistrados da corte e contra a Constituinte promovida por Maduro para reformar a Carta Magna. Todos os seus recursos foram indeferidos pela corte.

A pedido do chavismo, o alto tribunal proibiu Ortega de sair do país e congelou suas contas e bens.

O governo assegura que Ortega mentiu ao afirmar que não validou a eleição dos magistrados do TSJ em 2015, por parte da anterior maioria chavista.

Na marcha, a parlamentar opositora Delsa Solórzano assegurou que "não se trata de defender Luisa Ortega, mas a democracia".

- Escalada do conflito -

Os opositores, que consideram a Constituinte de Maduro uma "fraude" para perpetuá-lo no poder, protestaram quase todos os dias desde 1º de abril. As manifestações com frequência levam a confrontos violentos e a saques.

"Ninguém apoia essa Constituinte, podem aprová-la, mas continuamos nas ruas em desobediência civil", disse à AFP Alejandro García, um manifestante.

Entre 1º de abril e 19 de junho de 2017, foram registrados 2.675 protestos, de acordo com o Observatório Venezuelano de Conflitividade Social (OVCS), em um contexto de grave crise econômica.

Na sexta-feira (30), em Barquisimeto (350 km ao oeste de Caracas), homens encapuzados atiraram contra manifestantes que haviam erguido barricadas, deixando quatro mortos. Os óbitos foram confirmados pela Procuradoria neste sábado.

Os três meses de protestos também deixaram cerca de mil feridos, segundo o Ministério Público, e mais de 3.500 detidos, de acordo com a ONG Foro Penal.

Governo e oposição se responsabilizam mutuamente pela violência. Maduro assegura que se trata de um complô entre "a direita terrorista" e os Estados Unidos para derrubá-lo.

"A Procuradoria também é cúmplice da violência criminosa", denunciou Maduro na sexta à noite.

Na terça-feira (27), ele já havia denunciado uma tentativa de golpe de setores "extremistas da oposição".

O presidente alega que, nesse dia, o policial Óscar Pérez lançou quatro granadas contra o TSJ, de um helicóptero "sequestrado", e atirou contra o Ministério do Interior. O episódio não deixou feridos, e o policial continua foragido.

O analista Mariano De Alba considera que o conflito vai se intensificar.

"O governo insiste em sua proposta de Constituinte, o que, caso se concretize, contribuirá para a escalada do conflito. Governo e oposição ainda pensam que podem se impor um ao outro", disse à AFP.

- Contra o totalitarismo -

A coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou que, na segunda-feira (3), assinará um acordo com setores do chavismo críticos ao governo para rejeitar a Constituinte.

"Vamos assinar um grande acordo contra a imposição do totalitarismo do regime e para trabalhar para a restituição do marco constitucional", declarou a dirigente María Corina Machado.

Já Gonzalo Gómez, líder da Maré Socialista, importante organização chavista contrária a Maduro, garantiu à AFP que eles ainda não foram contatados.

"Se chegarem a entrar em contato, a gente avalia. Entendemos a necessidade de defender as liberdades democráticas", comentou.

O cientista político Ricardo Sucre também prevê uma escalada da tensão, com a proximidade da votação da Constituinte, em 30 de julho.

"É muito alta a possibilidade de que atos inesperados de violência ocorram", disse à AFP.

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AFP