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Manifestante agita bandeira da venezuela durante protesto contra o presidente Nicolás Maduro, em Caracas, 26 de maio de 2017

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A oposição venezuelana anunciou neste domingo que vai aumentar a pressão nas ruas contra o presidente Nicolás Maduro para impedir a Assembleia Constituinte convocada pelo chefe de Estado, aos 58 dias de protestos que já deixaram 59 mortos, segundo a Justiça.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou para esta segunda-feira uma marcha até a Defensoria do Povo, no centro de Caracas, destino previsto em manifestações anteriores que acabaram bloqueadas por militares e policiais em meio a bombas de gás lacrimogêneo.

"Todas as nossas lideranças estão claras: se permitirmos que se instaure essa fraude que querem disfarçar de Constituinte, a Venezuela estará perdida", disse em coletiva de imprensa Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento, único poder controlado pela oposição.

Guevara acrescentou que a oposição aumentará "significativamente a pressão" nas ruas contra Maduro. "Vamos nos preparar para uma escalada", advertiu.

Maduro expressou neste domingo que a Constituinte, cujas eleições foram projetadas para o fim de julho, será um poder que poderá tomar decisões inclusive "por cima da lei".

Na terça-feira, os deputados vão a embaixadas e consulados de países que tiverem expressado preocupação com a crise venezuelana e farão uma sessão especial em homenagem aos mortos nos protestos. Isto um dia antes de a Organização de Estados Americanos (OEA) debater em uma reunião de chanceleres a situação no país.

Para a quarta-feira está prevista outra mobilização até a chancelaria, no centro da capital.

A eleição dos delegados da Constituinte combina votação por municípios e por setores sociais.

O sistema é considerado por analistas e líderes opositores um mecanismo com o qual Maduro tenta evitar o voto universal e se manter no poder em um momento em que sua gestão é rejeitada, segundo pesquisas, por sete em cada dez venezuelanos.

Guevara pediu que os manifestantes evitem incidentes violentos.

"Há duas formas de perder esta luta: se a desesperança nos levar a deixar as ruas ou se o desespero nos levar a cair na violência", observou.

Governo e oposição se culpam mutuamente pelos distúrbios que explodiram durante os protestos.

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