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Ativistas opositores venezuelanos durante confronto com a polícia em protesto em Caracas, em 10 de julho de 2017

(afp_tickers)

Forças de segurança e manifestantes se enfrentaram nesta segunda-feira em Caracas durante um bloqueio de ruas realizado pela oposição venezuelana nas vésperas do plebiscito previsto para domingo contra a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

Ao menos dez jovens e alguns policiais ficaram feridos e vários manifestantes foram detidos nos distúrbios no leste da capital, constataram jornalistas da AFP.

Com cordas, veículos e barricadas de árvores e de lixo, grupos de opositores participam do "grande bloqueio" de dez horas convocado pela Mesa da Unidade Democrática.

"Este povo está decidido a continuar a luta pela liberdade. No domingo haverá o ato de desobediência civil mais importante da história da Venezuela", declarou o deputado da oposição Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento, de maioria opositora, em um bloqueio no leste de Caracas.

À margem do poder eleitoral, os opositores da MUD realizarão no próximo domingo um plebiscito simbólico, confiantes de que a votação mostrará uma rejeição em massa à Constituinte convocada por Maduro para, segundo eles, perpetuar-se no poder.

Nesse mesmo dia, o poder eleitoral realizará uma simulação das eleições da Assembleia Constituinte convocada por Maduro.

"O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disponibilizará 2.000 máquinas de votação no domingo 16 julho, em um simulacro para orientar os cidadãos sobre as formas de exercer o direito ao voto", informou um comunicado do organismo.

O CNE anunciou que ativará "alguns centros de votação" em todo o país, sem fornecer mais detalhes.

- Liberdade plena para López -

A defesa do líder opositor venezuelano Leopoldo López pediu nesta segunda-feira ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) o acesso à sentença que determinou sua prisão domiciliar, a fim de preparar ações legais por sua liberdade plena.

Em frente à Suprema Corte, Juan Carlos Gutiérrez, advogado de López, disse a jornalistas que não recebeu da corte o texto da sentença, motivo pelo qual desconhece o "alcance da medida" e as "restrições" dos direitos do dirigente político.

Quando tiver acesso à sentença para analisá-la, a defesa pretende apresentar recursos que "impliquem na nulidade absoluta, plena e inequívoca" do processo e de sua condenação, que leve à "liberdade plena" de López, manifestou Gutiérrez.

O jurista assegurou que o caso "foi uma cadeia incessante e constante de violações graves ao devido processo legal".

De qualquer forma, Gutiérrez disse ter recomendado a López "absoluta prudência nas palavras", o que explica ele não ter feito qualquer declaração à imprensa ou emitido uma mensagem no Twitter.

- 'Não queremos uma Síria' -

O governo afirma que nada atrapalhará a Constituinte, cujos 545 integrantes serão eleitos no dia 30 de julho. Em todos os estados do país, milhares de apoiadores, vestidos de vermelho, participam nesta segunda-feira de atos de campanha.

"Não queremos mais guerra, não queremos uma Síria. Podemos estar chateados com revolução por certas coisas que não estão funcionando, mas todo o povo chavista tem que votar", disse Steven Márquez, em um desses atos.

Em outra concentração, a esposa de Maduro, Cilia Flores, candidata à Constituinte, assim como o filho do presidente, criticou "os loucos" que "se empenham em fechar as ruas e falam de democracia".

"Quem não quer a paz são os loucos, os irracionais, os fascistas, um grupinho muito pequeno, mas que causa muitos danos. A Constituinte trará paz", disse a primeira-dama.

Maduro assegura que com a Constituinte, um supra poder que regirá o país por tempo indeterminado, trará a estabilidade política e econômica.

Em uma conversa telefônica, Maduro informou ao presidente russo, Vladimir Putin, seu aliado, sobre "os esforços" para chegar à "normalização da situação política" na Venezuela, segundo o Kremlin.

De acordo com o instituto de pesquisa Datanálisis, cerca de 70% dos venezuelanos não concordam com a Constituinte, e 80% rejeitam o governo do presidente socialista.

A Igreja católica, que na semana passada chamou o governo de "ditadura", pediu nesta segunda-feira que Maduro "retire" de forma "urgente" seu projeto, se quiser resolver os problemas de escassez e insegurança, e "devolver" a institucionalidade democrática ao país.

- 'Estamos mais perto' -

Animados com a transferência de Leopoldo López da prisão, após três anos e cinco meses, para cumprir pena domiciliar, os opositores dizem que continuarão nas ruas contra a Constituinte, pela libertação plena de 431 "presos políticos" que dizem haver na Venezuela e pela saída de Maduro.

"A (soltura) de Leopoldo é um passo, temos que continuar por todos os presos e até que haja eleições gerais. Este governo quer nos matar de fome. No domingo verá que não tem apoio. Aqui não há medo", disse à AFP Miguel Vielma, universitário de 18 anos.

A oposição garante que os resultados do plebiscito serão o "marco zero" de manifestações simultâneas e maciças em todo o país, sem descartar uma greve geral.

"Vou continuar na rua. Agora que estamos mais perto não podemos parar. Espero que no domingo o país inteiro não tenha medo e se mova contra essa Constituinte com a qual Maduro quer o poder absoluto. A Venezuela será uma Cuba", declarou à AFP Yoleima Zambrano, de 50 anos, enrolada em uma bandeira nacional.

Chavistas críticos ao governo, incluindo vários ex-ministros do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), expressaram no último domingo sua rejeição à Constituinte e consideraram "legítima" a consulta opositora.

A procuradora-geral, Luisa Ortega, figura mais forte do chavismo a se opôr à Constituinte, garante que essa iniciativa destruirá o legado de Chávez e violenta a democracia porque não se perguntou em plebiscito se os venezuelanos gostariam de mudar sua Carta Magna.

Até a terça-feira, o Tribunal Supremo de Justiça (TJS) decidirá se processará Ortega.

Uma destituição da procuradora - chamada de "traidora" por Maduro - desataria outra chuva de críticas contra o governo, após a tormenta da semana passada pela invasão de um grupo chavista no Parlamento.

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AFP