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(15 out) Partidários da oposição aguardam na sede em Caracas da MUD o resultado das eleições regionais

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A oposição venezuelana, dividida e criticada em suas próprias fileiras, ficou encurralada após o duro golpe sofrido nas eleições regionais de domingo (15), nas quais o governo venceu em 17 dos 23 estados do país, um resultado que os opositores rechaçam.

Estados Unidos, França e União Europeia expressaram sua preocupação pela "ausência" de eleições livres após os resultados.

A Mesa da Unidade Democrática (MUD) definirá sua estratégia para se recompor após sua derrota tanto nas urnas depois de ter fracassado em seu objetivo de derrubar o presidente Nicolás Maduro com protestos que entre abril e julho deixaram 125 mortos.

A oposição pediu uma "auditoria total" do processo, ao acusar o Conselho Nacional Eleitoral )CNE), mas Maduro, certo de uma vitória que qualificou de taxativa, havia antecipado seu apoio a uma revisão completa.

Para a situação, que tinha 20 governos, foi uma vitória conquistar 17, pois as pesquisas de opinião davam à MUD chance de vencer em até 18 estados. Ainda há um estado a se definir, segundo o poder eleitoral, acusado pela oposição de servir ao governo.

Em nível nacional, o chavismo obteve 54% dos votos contra 45% de seus adversários. "O chavismo está vivo, está na rua e está triunfante", comemorou Maduro, já pensando nas presidenciais de 2018.

Analistas se questionam o que aconteceu com as consultas, mas sobretudo porque a oposição, que havia esmagado o governo nas parlamentares de 2015, perdeu tanto apelo eleitoral e Maduro venceu o pleito mesmo com 80% de rejeição pela grave crise que asfixia o país.

"As divisões na MUD sobre qual é a melhor estratégia para enfrentar o governo (rua, eleições ou diálogo) vão se aprofundar, especialmente se a tentam com eleições municiais ou presidenciais antes do esperado", disse à AFP Diego Moya-Campos, do IHS Markit, de Londres.

- Novas manifestações? -

Mergulhada no caos com manifestações há apenas dois meses, Caracas ficou em calma nesta segunda-feira, inclusive no leste, reduto da oposição. Nenhum panelaço foi ouvido.

"Agora pode vir uma onda de depressão generalizada porque o povo pode chegar a pensar que a via eleitoral tampouco funciona", declarou à AFP o cientista político Luis Salamanca, que prevê "mais confronto" político.

O chefe de campanha da MUD, Gerardo Blyde, pediu para organizar "atividades de rua em apoio" à auditoria. "Temos que continuar lutando", afirmou nesta segunda-feira Carlos Ocariz, vencido na disputa pelo governo do estado estratégico de Miranda (norte) e que atualmente ostenta o líder opositor Henrique Capriles.

Mas uma parte dos seguidores da MUD, frustrados por não terem conseguido tirar Maduro com os protestos, passaram a conta à coalizão por ter aceito participar destas eleições e tido aproximações de diálogo com o governo.

Bianca de 33 anos, foi uma das que protestaram e bloquearam ruas, mas diz estar totalmente desiludida agora.

"Ir às ruas não serviu de nada. O que vamos fazer indo votar e eleições presidenciais se já sabemos o que vai acontecer?", disse à AFP.

Para Moya-Ocampos, "a opção do diálogo e a saída eleitoral se veem cada vez mais distantes e de novo o protesto nas ruas e a comunidade internacional vão marcar a pauta".

Atacho Stalin, funcionário público de 47 anos, acredita "que houve fraude".

"Isto vai render, acho que os protestos vão voltar", comentou.

- Isolamento internacional? -

Maduro tem sido acusado por seus adversários e por alguns países de ter instaurado uma "ditadura" na Venezuela, agora com o apoio de uma Assembleia Nacional Constituinte, totalmente oficialista, eleita em 30 de julho passado.

Buscando legitimidade, Maduro transformou estas eleições em uma validação de sua Constituinte, diante da qual os governadores serão juramentados na terça-feira.

As primeiras reações internacionais questionaram os resultados. Os Estados Unidos, que impuseram sanções econômicas a Maduro, a vários de seus funcionários e ao país, disse que as eleições "não foram livres nem justas".

A França expressou preocupação pela "ausência de transparência" que afeta "a confiança dos resultados, e a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, os considerou tão "surpreendentes" que suscitariam uma investigação".

"Não nos importa o que pensa a União Europeia", reagiu o número dois do chavismo, Diosdado Cabello.

A China destacou que o processo eleitoral foi "muito tranquilo" e que o gigante asiático não interfere nos assuntos internos da Venezuela.

"Acreditamos que o governo desse país seja capaz de administrar adequadamente seus assuntos internos no âmbito da lei e manter a estabilidade e a prosperidade", declarou à imprensa o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Lu Kang.

Recentemente, Maduro se reuniu em Moscou com o presidente russo, Vladimir Putin, para tentar renegociar a dívida venezuelana.

Para diferentes analistas ouvidos pela AFP, a solução para a crise está não apenas mais distante, como o país tende a entrar em "um beco sem saída", resumiu Salamanca.

"Os riscos de conflito e de sanções transformam a Venezuela em um país desfavorável para os investidores", comentou León, economista e presidente da Datanálisis.

Com as sanções, o panorama econômico se revela ainda mais desolador para um país à beira da hiperinflação e com uma severa escassez de alimentos e medicamentos.

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AFP