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Ativista opositor venezuelano protesta em Caracas em 10 de julho de 2017

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A oposição venezuelana acertava os últimos detalhes do plebiscito simbólico que realiza neste domingo (15) contra o presidente Nicolás Maduro e contra seu projeto de Assembleia Constituinte.

"Já está tudo pronto. Amanhã o país não apenas rejeitará a Constituinte, como dará um mandato que é exigir a mudança de regime, a saída da ditadura e o início da transição com um governo de união nacional", disse a dirigente María Corina Machado neste sábado à AFP.

Dirigindo-se ao governo, o líder opositor Henrique Capriles afirmou que "ainda há tempo" para que "cancelem uma Constituinte que ninguém quer".

Os opositores acreditam que a consulta, que não tem caráter vinculante, "mostrará ao mundo" que a maioria se opõe à iniciativa de Maduro para reformar a Constituição.

Em entrevista coletiva neste sábado, o deputado Juan Andrés Mejía confirmou que as atas de votação serão destruídas para resguardar a identidade dos participantes e evitar represálias do governo.

Segundo o instituto de pesquisa Datanálisis, 70% dos venezuelanos rejeitam a Constituinte.

"Espera-se 62% de participação para o domingo. Podemos chegar a 11 milhões de pessoas", afirmou o líder opositor Henrique Capriles, citando números do Datanálisis.

Maduro considera o plebiscito ilegal, defendendo que apenas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pode realizar processos desse tipo.

Em paralelo, o CNE fará no domingo um simulacro da votação da Constituinte. Seus 545 membros serão eleitos em 30 de julho. A oposição considera a consulta uma "provocação".

Baixando o tom em relação aos últimos dias, Maduro pediu, hoje, que os dois eventos sejam "pacificamente, com respeito às ideias do outro, sem qualquer incidente".

"Paz é o que eu peço", insistiu, durante um ato transmitido em emissora de rádio e televisão.

Considerou, porém, que a chegada de "mais de 500 veículos (internacionais) à Venezuela" para cobrir o plebiscito faz parte de um "show midiático" para justificar uma intervenção estrangeira contra ele e derrubá-lo.

A reitora do órgão eleitoral Tania D'Amelio ressaltou hoje que o simulacro é a "única atividade que o CNE organiza".

"Vamos à Constituinte para salvar a pátria", afirmou Maduro, cuja gestão é rejeitada por sete em cada dez venezuelanos em meio à devastação econômica.

O plebiscito será realizado em meio a uma onda de protestos em repúdio ao governo que completou três meses e meio neste sábado. O saldo dessa escalada da violência é 95 mortos.

As manifestações exigem a saída de Maduro do poder e renegam a Constituinte, "única via" - segundo o presidente - para restabelecer a paz e reativar a economia do país.

Maduro se diz vítima de uma tentativa de golpe de Estado apoiado por Washington e de uma guerra econômica que leva à escassez de bens básicos e a uma voraz inflação.

- Apoio internacional -

Cinco ex-presidentes da região chegaram neste sábado para participar, junto com especialistas eleitorais de vários países, como observadores do processo organizado pela oposição. São eles: o colombiano Andrés Pastrana, o boliviano Jorge Quiroga, o mexicano Vicente Fox e os costa-riquenhos Miguel Ángel Rodríguez e Laura Chinchilla.

Os ex-presidentes foram recebidos por María Corina no aeroporto de Maiquetía.

"Amanhã é o povo venezuelano que decide qual será seu futuro, se haverá, ou não, Constituinte. Viemos verificar esse processo", disse Pastrana à imprensa.

Segundo Fox, o plebiscito da oposição representa o início da "rota para o fim" do governo de Maduro, que deve "entender que ninguém o quer e que não pode continuar destroçando esta economia".

O prefeito de Sucre, Carlos Ocariz, confirmou que já estão na Venezuela "observadores internacionais reconhecidos no mundo".

Na sexta-feira (14), o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu ao governo e à oposição que dialoguem para erradicar a violência e acertar um "caminho constitucional".

Já o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, convidou os venezuelanos a participar da "consulta popular para deter o colapso definitivo da institucionalidade do país".

- 'Operação inédita' -

Os principais dirigentes da oposição afirmam que, após o plebiscito, vai-se ativar a "hora zero", ou seja, a fase decisiva dos protestos para tirar Maduro do poder. Não descartam convocar uma greve geral.

A consulta será realizada em cerca de 2.000 centros de votação, que vão abrigar 14.000 mesas, além de mais 500 centros em 80 países.

A população deve se registrar com seus dados pessoais e, depois disso, receberá uma cédula com três perguntas. O objetivo é responder se desejam que o Parlamento de maioria opositora inicie um processo de renovação dos poderes públicos - o que Maduro denuncia como uma tentativa de instalar um "Estado paralelo" - e se os militares devem respeitar a Constituição.

"É uma operação inédita, claramente cidadã. Espera-se que trabalhem cerca de 145.000 voluntários. A infraestrutura montada permitirá que 11,5 milhões de venezuelanos participem", disse à AFP o especialista em eleições Aníbal Sánchez.

Em uma carta às forças de segurança do Estado, o cardeal Jorge Urosa Savino pediu que se impeça "qualquer ataque violento aos venezuelanos que forem às urnas".

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AFP