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O presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, durante sessão em Caracas, no dia 14 de dezembro de 2016

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A oposição venezuelana iniciou nesta quinta-feira seu segundo ano à frente do Parlamento com uma renovação de sua cúpula e uma nova ofensiva contra o presidente Nicolás Maduro, que já se adiantou, reestruturando seu gabinete em um ano crucial na crise do país.

Com a transmissão pela TV da sessão interrompida abruptamente pela reapresentação de um ato de Maduro na quarta-feira, Julio Borges, um advogado de 47 anos, prestou juramento em substituição a Henry Ramos Allup como presidente do Legislativo, controlado pela oposição.

"Hoje esta Assembleia se instaura em meio às maiores dificuldades (...) Vivemos um momento injusto e vergonhoso", disse Borges, ex-líder da bancada opositora e fundador do Primeiro Justiça, partido do ex-candidato à Presidência, Henrique Capriles.

Apesar das disputas internas, a Mesa da Unidade Democrática (MUD) traçará um passo-a-passo na sessão parlamentar que começou ao meio-dia, após o fracasso de seu plano de tirar Maduro do poder com um referendo revogatório em 2016.

Mas o presidente se prepara para a nova etapa do confronto. Na quarta-feira, ele reorganizou seu gabinete, nomeando o advogado Tareck El Aissimi, de 42 anos, e que se define como "radicalmente chavista", à vice-presidência no lugar de Aristóbulo Istúriz, uma figura-chave porque seria seu substituto caso seu mandato seja revogado em um referendo este ano.

Opositores temiam que as autoridades boicotassem a sessão, argumentando que a justiça venezuelana - à qual acusam de governista - declarou o Legislativo em desacato e considera nulas suas decisões. Mas deputados chavistas participaram da sessão.

"Passou um ano e o presidente Maduro continua aqui", comemorou o líder da bancada governista, Héctor Rodríguez.

Promessas socialistas

A oposição deve esclarecer se continuará impulsionando o referendo, após o processo ter sido suspenso em outubro passado pelo poder eleitoral, mesmo se não representar mais uma saída do chavismo do poder.

Segundo a lei, se Maduro tivesse perdido um referendo em 2016, eleições presidenciais deveriam ter sido convocadas, mas depois de 10 de janeiro - quando ele completa quatro anos de mandato -, só seria substituído por seu vice-presidente.

A MUD anunciou que vai tentar motivar a pressão social, mas ainda não conseguiu capitalizar o descontentamento com a crise, que levou 78,5% dos venezuelanos, cansados da altíssima inflação e da falta de comida e remédios, a reprovar a gestão de Maduro, segundo a Datanálisis.

Afirmando que este ano será o da "recuperação e expansão da revolução", Maduro mudou a equipe econômica e pediu a El Aissimi que se encarregue da segurança do país e para "lutar contra os terroristas da extrema direita", como chama alguns opositores.

"É o socialismo a via para a salvação da pátria, não o capitalismo, não a burguesia, não esta direita terrorista e criminosa", disse El Aissami, governador do estado de Aragua (centro), ao assumir o cargo.

Para Borges, "o que o país precisa é uma mudança radical".

"Maduro fez 98 mudanças de ministérios e aí estão os resultados: inflação, escassez, insegurança. É a mesma equipe fracassada", assegurou.

Desafios da oposição

Após arrasar nas legislativas de 2015, o apoio à MUD diminuiu, segundo Keller e Associados, de 45% para 38% nos últimos dois meses, devido a erros de estratégia, desconexão social e por iniciar um diálogo com o governo, rejeitado pela metade de seus 30 partidos e muitos seguidores.

"A oposição é desafiada a fazer três coisas: reestruturar sua organização, redefinir sua estratégia e apresentar aos venezuelanos um horizonte claro de solução", disse Jesús Torrealba, que poderia ser substituído como secretário-executivo da MUD.

Para a oposição, a grave crise venezuelana exige uma mudança de governo, razão pela qual pretendia conseguir, na mesa de diálogo, a reativação do referendo ou uma antecipação das presidenciais de 2018.

Mas o chavismo descartou negociar estes temas, após o que a oposição congelou o processo e planeja não participar, em 13 de janeiro, da terceira rodada de diálogo, que começou em 30 de outubro, sob os auspícios do Vaticano.

"Borges comprometeu sua palavra comigo em (...) participar do diálogo. Ele mandou dizer: o velhinho louco vai embora. Eu, sim, vou dialogar", afirmou Maduro, desmentido, até o momento, pelo agora chefe legislativo.

Mordaz e boquirroto, Ramos Allup, de 73 anos, manteve em sua gestão um duro enfrentamento com o governo, e esta semana refutou a volta da MUD ao diálogo, apesar da libertação, desde outubro, de 17 opositores. Segundo a MUD, ainda há uma centena de presos.

"Os desafios da oposição são gigantescos", disse à AFP o analista Luis Vicente León, para quem a MUD deve entender que "sem unidade" e conexão social, nada vai mudar.

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AFP