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Ativistas opositores venezuelanos durante protesto contra o presidente Nicolás Maduro, em Caracas, em 24 de abril de 2017

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A oposição venezuelana marchará nesta quarta-feira em Caracas e em outras cidades para exigir eleições gerais, intensificando sua ofensiva contra o presidente Nicolás Maduro, apesar do temor de novos episódios de violência, que já deixaram 26 mortos.

Contingentes policiais e militares estão mobilizados desde cedo, com veículos e outros equipamentos anti-motins, nos acessos a estradas de diferentes setores de Caracas, enquanto todas as estações de metrô estão fechadas, o que provocou engarrafamentos e dificuldades de transporte para quem tenta ir trabalhar.

A marcha pretende chegar em Caracas à sede da Defensoria do Povo, no centro da cidade, considerado um reduto chavista, onde os opositores não puderam entrar até agora, bloqueados pelas forças de segurança.

Desde que os protestos começaram, em 1º de abril, foram registrados confrontos entre efetivos antimotins e manifestantes, distúrbios, saques e tiroteios de grupos de encapuzados, que segundo a Procuradoria deixaram 26 mortos, embora Maduro fale de 29 falecidos.

"Vamos resistir, vamos persistir, não vamos nos render", manifestou o líder opositor Henrique Capriles ao acusar o governo de uma "repressão selvagem" das manifestações.

Sem ceder terreno, o chavismo convocou a "juventude revolucionária" a marchar nesta quarta-feira ao Palácio Presidencial de Miraflores "em defesa da paz" e em apoio a Maduro.

"Vamos derrotar a guarimba (protesto violento) e o golpe de Estado", disse na noite de terça-feira o presidente socialista, que acusa os líderes opositores de "terrorismo".

Maduro, cujo mandato termina em janeiro de 2019, afirma que seus adversários têm um plano apoiado pelos Estados Unidos para derrubá-lo e propiciar uma intervenção estrangeira.

Enquanto isso, a oposição classifica o governo de "ditadura" e vê como única saída para a profunda crise política e econômica do país petrolífero a saída de Maduro do poder.

Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, reprovam a gestão de Maduro, cansados da escassez de alimentos e remédios, e de uma inflação que segundo o FMI chegará a 720,5% neste ano, a mais alta do mundo.

- Pressão internacional aumenta -

A tensão na Venezuela segue gerando preocupação. A Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral Luis Almagro chama Maduro de ditador, se reúne nesta quarta-feira para discutir um possível encontro de chanceleres que tratem o tema.

A ministra das Relações Exteriores Delcy Rodríguez advertiu que, se for realizada uma reunião de chanceleres, a Venezuela iniciará "o procedimento de retirada" da OEA.

A pedido de Caracas, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocou uma reunião extraordinária para o dia 2 de maio.

Os protestos explodiram depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de servir ao chavismo, assumiu no fim de março as funções do Parlamento, único dos poderes que a oposição controla, mas recuou pela forte crítica internacional.

Com sua marcha, os opositores exigirão que o defensor do povo, Tarek William Saab, ative um processo de destituição dos magistrados ou o considerarão cúmplice do que chamam de "golpe de Estado".

A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira que o governo pare com a perseguição e com as detenções arbitrárias contra os opositores, enquanto a ONG Repórteres Sem Fronteiras publicou seu relatório sobre ameaças à imprensa, no qual situa a Venezuela na posição 137.

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AFP