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Opositores bloqueiam uma via expressa no leste de Caracas

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Mais de 200.000 pessoas protestaram no sábado em toda a Venezuela em uma tentativa da oposição de dar uma clara "demonstração de força" ao presidente Nicolás Maduro, após quase dois meses de protestos violentos que exigem a convocação de eleições.

Em Caracas, a Polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, que caminhava na direção do Ministério do Interior, no centro, partindo da principal via da capital.

A oposição calculou mais de 160.000 pessoas nas ruas da capital, para exigir a saída de Maduro do poder.

"Havia, com certeza, 160 mil pessoas, e até mais", disse à AFP, Edinson Ferrer, dirigente da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Ao menos 46 pessoas ficaram feridas, segundo o prefeito de Chacao (leste), Ramón Muchacho. A Procuradoria confirmou que uma mulher foi atropelada por um veículo e uma investigação está em curso.

"Temos que permanecer nas ruas 50, ou mil dias a mais, o que for necessário até que Maduro aceite eleições, ou saia", defendeu o estudante Antonio Moreno, de 21 anos, que estava com um escudo de madeira improvisado com a palavra "resiste", para se proteger de eventuais bombas de gás.

Uma multidão exibia cartazes com frases como "#Chega de ditadura!", "Eleições Já", em meio a barricadas armadas com troncos e pedras e um gigantesco tanque de metal, uma proteção das ações da polícia.

Ao contrário do que a oposição previa, a marcha de hoje mobilizou menos pessoas do que a passeata realizada em 19 de abril, em meio à maior onda de protestos no país. Em sete semanas, além de 47 mortos, foram centenas de feridos e quase 2.200 detidos. De acordo com a ONG Foro Penal, ao menos 161 pessoas foram encarceradas por ordem de tribunais militares.

"Isso foi um massacre contra o povo, mas, apesar de tudo, quanto mais repressão, mais resistência e luta pela Venezuela", declarou o líder opositor Henrique Capriles, antes de iniciar a caminhada para o Ministério do Interior.

"Convidamos a marchar todo o dia que for necessário até que haja uma mudança na Venezuela", insistiu Capriles.

"Bandido, corrupto, você vai sair", gritou.

Já em San Cristóbal, no estado de Táchira, fronteiriço com a Colômbia, mais de 40 mil pessoas foram às ruas, (segundo cálculos da AFP). Esta semana, o presidente Maduro ordenou o envio de 2.600 militares para "preservar a paz" nessa região, após violentos distúrbios.

Nos últimos dias, aumentaram as mortes por ferimentos a bala em atos relacionados aos protestos. Vários policiais e militares já estão sendo investigados. Alguns desses fatos aconteceram em Táchira.

- 'Negociação definitiva'

Em outra parte da cidade, no palácio presidencial de Miraflores, Maduro receberia mais de dois mil trabalhadores (segundo cálculos da AFP), um mar vermelho, a cor do chavismo. Cantando e dançando, o grupo partiu do centro de Caracas para expressar seu apoio à Assembleia Constituinte "popular", convocada recentemente pelo presidente. Maduro não apareceu para recebê-los.

O país está completamente dividido e quase paralisado, em meio a uma grave crise econômica. Os opositores denunciam uma "repressão selvagem" do governo, enquanto Maduro os acusa de apelar para o "terrorismo" para dar um golpe de Estado com financiamento dos Estados Unidos.

Em declarações neste sábado, o o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, defendeu que a única saída para resolver a crise política na Venezuela é a realização de eleições gerais imediatas, e, para isso, chegou o momento da "negociação definitiva".

Em mensagem de vídeo, Almagro assinalou que o número elevado de mortos nos protestos na Venezuela é consequência "de um regime obstinado com não reconhecer que a única saída viável para a crise em que o país mergulhou é a convocação de eleições gerais já".

- Lealdade militar -

Analistas concordam que, depois de mais de um mês e meio de protestos, o desafio da oposição é permanecer nas ruas de maneira pacífica.

"O êxito de um protesto depende de sua massificação e permanência", avalia Luis Vicente León, presidente do instituto de pesquisa Datanálisis.

Ele adverte que, se as manifestações se tornarem violentas, "perdem impacto".

Considerado herdeiro político do presidente Hugo Chávez (1999-2013), Maduro enfrenta a rejeição de sete em cada dez venezuelanos, segundo pesquisas de institutos privados, em meio à devastação econômica, acentuada pela queda nos preços do petróleo a partir de 2014.

Seu principal apoio vem das Forças Armadas, que têm enorme poder político e econômico e que, em várias ocasiões, expressou sua "lealdade incondicional".

O ministro da Defesa e chefe da instituição, general Vladimir Padrino López, pediu esta semana aos opositores que não se enganem, pois, segundo ele, os militares e o governo não vão tolerar o caos.

A oposição voltou às ruas depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) - acusado de servir ao governo - assumiu em 30 de março as funções do Parlamento. Anulada parcialmente após forte pressão internacional, a decisão provocou a entrada dos Estados Unidos no conflito.

Na quinta-feira (18), o Tesouro americano impôs sanções econômicas a oito magistrados do TSJ, acusando-os de usurpar as funções da Assembleia. A medida implica o congelamento dos bens que eles possam ter nos Estados Unidos.

AFP