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O deputado opositor venezuelano Henry Ramos Allup, em Caracas, em 24 de outubro de 2017

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Os três principais partidos da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) decidiram se abster de participar das eleições municipais de dezembro na Venezuela, o que o presidente Nicolás Maduro denunciou como um sabotagem que enfrentará com mão de ferro.

"Só com votos as ditaduras saem... (Mas) para estas eleições municipais a participação não é viável", disse Henry Ramos Allup, da Ação Democrática (AD), somando-se à posição manifestada pouco antes pelos partidos Vontade Popular (VP) e Primeiro Justiça (PJ).

Os três partidos têm a maior representatividade eleitoral na MUD, razão pela qual inclinam a balança apesar de alguns membros desta coalizão - onde há cerca de 20 partidos, da centro-direita a dissidentes do chavismo -, decidirem disputar as municipais.

"Não vamos participar das municipais. Daremos a luta pelas garantias para eleger livremente um novo governo. O objetivo segue sendo tirar Nicolás Maduro do poder", afirmou Julio Borges, fundador do Primeiro Justiça e presidente do Parlamento de maioria opositora.

Em nome do Vontade Popular, liderado por Leopoldo López - sob prisão domiciliar -, o deputado Freddy Guevara declarou que "não existem condições eleitorais, nem políticas" para disputar as municipais. "Às vezes é preciso sacrificar um peão para poder pegar a rainha", explicou.

Os três partidos asseguraram ter tomado esta decisão para se concentrar em buscar melhores condições eleitorais para as presidenciais de 2018, após denunciarem um "processo fraudulento" nas eleições regionais de 15 de outubro, em que a MUD elegeu apenas cinco governadores contra 18 do chavismo.

A decisão foi tomada com o tempo desfavorável, no dia em que se deveria inscrever as candidaturas e em meio à forte crise que levou à derrota eleitoral da MUD.

- "Serei draconiano" -

Em uma reunião com governadores eleitos, Maduro recebeu a decisão dos partidos opositores como um "chamado a sabotar" as eleições municipais. "Eu me declaro em luta contra aqueles que pretendem se insurgir e atacar o sistema eleitoral", advertiu.

"Serei draconiano. Há muitas vagas nas prisões para quem pretende incendiar a Venezuela (...) A oposição tomou o caminho de seu auto-desaparecimento", acrescentou Maduro, ao destacar que a oposição sempre grita "fraude" quando perde.

A MUD, recém-contemplada com o Prêmio Sakharov 2017, denunciou que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) - à qual acusa de servir ao governo - alterou centros de votação na última hora e permitiu a "usurpação de identidade" de eleitores e o clientelismo.

"Não podemos continuar aceitando estas condições porque vamos a um matadouro presidencial. Se não pusermos um freio para mudar as regras eleitorais, vamos terminar em presidenciais com fraude", destacou Borges.

Qualificada pela oposição como uma "convocação express", a poderosa Assembleia Constituinte chavista anunciou na quinta-feira passada as municipais para dezembro e no dia seguinte o CNE abriu a inscrição de candidaturas.

"O governo vai antecipar as presidenciais. Não podemos permitir que continuem surpreendendo com suas emboscadas eleitorais", afirmou Andrés Velásquez, que diz ter provas de que perdeu o governo em seu estado por fraude.

Maduro advertiu que haverá eleições municipais e presidenciais com o mesmo sistema eleitoral, o qual qualificou de "o mais perfeito do mundo".

- E agora? -

Os analistas estão divididos entre se a oposição devia disputar ou não as eleições municipais, mas concordam em que, com uma opção ou outra, a MUD carece de estratégia para se unificar, reconquistar seus seguidores e conseguir a mudança de governo.

Apesar de ser a favorita para as regionais, em meio ao mal-estar popular pela grave crise econômica, a MUD sofreu com a abstenção de boa parte de seus simpatizantes, frustrados após não conseguir tirar Maduro do poder com quatro meses de protestos que deixaram 125 mortos entre abril e julho.

O abismo se aprofunda quando quatro dos governadores opositores eleitos - militantes da AD - tomaram posse ante a Constituinte, que a MUD e vários governos da América e da Europa desconhecem por considerá-la "ilegal".

"Não há um mapa. Não explicam porque disputar eleições ou porque não", comentou o especialista eleitoral Eugenio Martínez.

O analista Benigno Alarcón acredita que mesmo assim a oposição deve participar das municipais. "Muitos autoritarismos saíram ao tentar roubar uma eleição", avaliou.

Para além dos dilemas da oposição, o analista Michael Penfold avaliou que o problema institucional a resolver é "muito profundo", ao não descartar que o governo, aproveitando o péssimo momento da MUD, antes das presidenciais.

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AFP