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Ativistas da oposição se manifestam contra o governo Maduro

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A oposição venezuelana protestava nesta terça-feira para exigir a restituição das faculdades do Parlamento, um calendário eleitoral e a libertação de seus dirigentes e militantes detidos, depois que a OEA declarou que há uma "grave alteração" da democracia no país.

Mil pessoas tentavam marchar rumo à Assembleia, onde a maioria opositora iniciará durante a tarde um processo para destituir magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que na semana passada assumiu brevemente as faculdades legislativas e retirou a imunidade dos deputados.

No entanto, pelotões de policiais impediam o avanço dos manifestantes rumo ao centro de Caracas, onde está marcada uma marcha do governismo que chegará até as imediações do Parlamento.

"Queremos liberdade na Venezuela, isso é ditadura e em breve não haverá comida, é isso o que querem para os seus filhos?", gritava aos soldados María González, uma enfermeira de 56 anos.

Em uma primeira tentativa de romper o cordão de isolamento, a polícia lançou spray de pimenta para dispersar a multidão, constatou a AFP.

"Estão perto de cair, somos um país forte. O que aconteceu foi um golpe de Estado e a Assembleia tem que agir", disse Gonzalez à AFP, referindo-se às decisões do TSJ que foram parcialmente canceladas no sábado.

- "Lacaios do império" -

Os arredores da Plaza Venezuela - onde os opositores foram convocados - amanheceram vigiados por dezenas de militares em veículos anti-motim.

As forças de segurança também vigiavam os acessos ao centro da cidade e várias estações de metro foram fechadas.

"Se o povo da Venezuela continuar pressionando, sem nos intimidarmos, veremos a mudança em todos os níveis do governo a ponto de (o presidente) Nicolás Maduro ter que sair", declarou a jornalistas o vice-presidente da Assembleia, Freddy Guevara, durante a concentração.

Simpatizantes de Maduro, enquanto isso, se mobilizaram para rejeitar a resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA), que na segunda-feira declarou uma "grave alteração inconstitucional" na Venezuela.

O organismo também resolveu avançar em gestões diplomáticas, incluindo uma possível reunião de chanceleres para recuperar a "ordem democrática" no país.

"Apoiamos Maduro diante destes ataques que querem um golpe de Estado. Rejeitamos todos os atos desses chanceleres lacaios do império", disse Angelo Oliva, um manifestante chavista.

O presidente condenou na noite de segunda-feira a declaração da OEA e acusou o organismo de ter se convertido em um "tribunal de inquisição para perseguir a Venezuela".

As sentenças do TSJ abriram uma fissura no governismo, depois que a procuradora-geral, Luisa Ortega - chavista confessa -, as denunciou como uma "ruptura da ordem constitucional".

Devido a isso, Maduro convocou os poderes públicos a uma reunião - à qual o chefe do Legislativo não compareceu - na qual foi decidida a suspensão das medidas mais recentes contra o Parlamento.

Mas a oposição, que classificou as decisões como um "golpe de Estado", anunciou que permaneceria nas ruas até que haja respeito à Assembleia, cujas decisões são consideradas nulas pelo TSJ, que a declarou em desacato em janeiro de 2016.

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