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(Arquivo) Vista do Parlamento Europeu, em Estrasburgo

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A Eurocâmara anunciou nesta quinta-feira (26) a oposição venezuelana como a vencedora do prêmio Sakharov à liberdade de consciência, um reconhecimento que coroa seu apoio à Assembleia Nacional da Venezuela e aos presos políticos ante o governo de Nicolás Maduro.

"Hoje apoiamos a luta de um povo por sua liberdade", resumiu o presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, ao anunciar o veredito que, aos olhos da esquerda radical europeia, supõe uma "instrumentalização" do prêmio.

Proposto pela principal bancada do Parlamento, o Partido Popular Europeu (PPE, direita), e de seus sócios liberais do ALDE, a "oposição democrática da Venezuela" recebeu o reconhecimento à defesa dos direitos humanos e às liberdades.

Os opositores concorreram em 2015 sem vencer o prêmio, com uma candidatura da Mesa da Unidade Democrática (MUD). E agora o conquistaram encarnados no Parlamento e nos "presos políticos" como Leopoldo López e Antonio Ledezma.

Em nome de López, sua esposa, Lilian Tintori, destacou o prêmio como um "reconhecimento" à "coragem" dos presos e ao "povo venezuelano por se manter firme contra um regime que reprime, persegue e viola os direitos humanos".

- Em plena crise -

A vitória chega no momento da pior fissura da MUD, que perdeu na disputa contra o governo as eleições de governadores de 15 de outubro, cujos resultados foram questionados pela oposição e pela União Europeia (UE).

O líder do Parlamento venezuelano, Julio Borges, destacou que este "apoio internacional" deve servir para reunificar a MUD. "Temos que ficar de pé e consolidar tudo o que avançamos", destacou.

A crise nesta heterogênea coalizão consolida Maduro visando as eleições municipais de dezembro e as presidenciais de 2018, meses depois de liderar protestos que exigiam a saída de Maduro, e que deixaram 125 mortos.

"O Parlamento Europeu deixa cair a máscara ao apoiar uma oposição violenta e ao promover ilegalmente a mudança de regime pela força na Venezuela", reagiu o chanceler venezuelano Jorge Arreaza.

- Polêmica -

Desde 2007, o Parlamento Europeu aprovou uma dezena de resoluções, em especial para pedir a libertação dos "presos políticos". A eleição em julho da Assembleia Constituinte, estimulada por Maduro, provocou um endurecimento de sua postura nos últimos meses.

O prêmio não deixou ninguém indiferente. Apesar dos aplausos, risos vindos das bancadas da esquerda radical interromperam Tajani quando dizia que o prêmio "não tem cor política".

Os parlamentares europeus da esquerda radical pediram um boicote da cerimônia de entrega, em 13 de dezembro, ao criticar a concessão "deste prêmio à parte mais violenta da oposição venezuelana" em um momento em que o diálogo "abre passagem", segundo a deputada Marina Albiol.

O símbolo da sintonia entre a maioria de centro-direita e direita da Eurocâmara e a oposição venezuelana é o encontro em maio de Tajani e Borges, após o qual o italiano urgiu à UE que adotasse "sanções contra" funcionários venezuelanos.

Os países da UE já estabeleceram um marco jurídico de sanções contra violadores dos direitos humanos na Venezuela, mas os debates sobre a possível aprovação em novembro continuam com a incógnita sobre a inclusão de uma lista de sancionados.

- Quintos latino-americanos -

A polêmica pode não parar por aí. Eurodeputados pediram recentemente pede a análise da retirada deste prêmio concedido em 1990 à líder birmanesa Aung San Suu Kyi por seu atual silêncio sobre a perseguição da minoria rohingya como membro do governo birmanês.

Nelson Mandela (1988) e Malala Youfsafzai (2013) são outros ganhadores do prêmio, que leva o nome do cientista soviético dissidente Andrei Sakharov, e que a Eurocâmara concede desde 1988 aos que deram "uma contribuição excepcional à luta dos direitos humanos no mundo".

A oposição venezuelana se soma à lista de latino-americanos premiados, iniciada em 1992 com as argentinas Mães da Praça de Maio e ampliada com os dissidentes cubanos Guillermo Fariñas (2010), a associação Damas de Branco (2005) e Oswaldo Payá (2002).

A guatemalteca Aura Lolita Chávez Ixcaquic, símbolo da luta dos indígenas, e o jornalista Dawit Isaak, preso na Eritreia, também venceram o prêmio de 50.000 euros (58.800 dólares), proposto pelos Verdes e social-democratas.

Ambos também estão convidados para a cerimônia de entrega. Em 2016, as yazidis Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar, sobreviventes das atrocidades do grupo extremista Estado Islâmico, pediram aos eurodeputados que trabalhassem para impedir os crimes do EI.

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AFP