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Líder opositor venezuelano Henrique Capriles (C) se protege das bombas de gás lacrimogêneo durante confrontos com a polícia, em Caracas, em 8 de maio de 2017

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A oposição venezuelana tentava marchar nesta segunda-feira até o centro de Caracas para informar o governo sobre sua recusa em participar da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

Sob o lema "O povo diz não à ditadura", a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou seus seguidores para expor a decisão ao ministro da Educação, Elías Jaua, que dirige a comissão presidencial que impulsiona a Constituinte.

Por sua vez, o governo pediu que a oposição reflita sobre sua decisão. "Fazemos um chamado à MUD, pela paz em nosso país, que reflita (...) O caminho é o diálogo, a criminalização do diálogo é o desconhecimento de uma parte e isso é barbárie', declarou Elías Jaua.

Ele ressaltou ainda que "as portas estão abertas (...) para que todas as organizações políticas venham escutar as razões" para a convocação da Assembleia Constituinte.

Nas ruas, os grupos de oposição se reuniam em setores do leste da capital para a passeata. Desde o início dos protestos, em 1º de abril, não conseguiram chegar ao centro de Caracas, dispersados a cada vez pelas forças de segurança.

Em razão da marcha, 31 estações de metrô permanecem fechadas.

"Continuar nas ruas é a única maneira de sair desta forca de comunistas, porque queremos viver em democracia. A Constituinte é uma farsa, estão fugindo das eleições para permanecer no poder", declarou à AFP Jorge González, um arquiteto de 63 anos, na Plaza Altamira (leste).

Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, único poder do Estado controlado pela oposição, reiterou o chamado para que as pessoas sigam nas ruas "frente à fraude constitucional".

Em resposta, o governo convocou seus partidários a marchar em "defesa da Constituinte", com a qual, assegura, reforçará a Constituição de 1999 liderada pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

Democracia verdadeira

Apesar da rejeição da oposição, o governo prossegue com as reuniões com diversos setores sociais para promover a sua Assembleia Constituinte, que de acordo com os seus adversários serve apenas para o poder se desvencilhar de eleições livres de "uma verdadeira democracia".

Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, rejeitam a gestão Maduro, num contexto de colapso econômico que tem gerado uma grave escassez de alimentos e medicamentos, e a maior inflação do mundo, que chegaria a 720% em 2017, segundo o FMI.

Maduro pretende eleger a Assembleia Constituinte por meio de um processo misto que não garante o "sufrágio universal": metade dos 500 componentes seriam escolhidos por votação de setores, enquanto o restante seria escolhido nas eleições municipais.

"Estou convocando uma verdadeira democracia, direta, doa a quem doer", ressaltou Maduro no domingo.

Mas a oposição também conta entre seus seguidores com estudantes, trabalhadores, empregadores e outros setores sociais que se recusam a participar de um processo considerado uma "fraude constitucional".

Analistas como Luis Salamanca alertam para o risco de a oposição deixar o caminho livre para o governo mudar a Constituição, mas outros, como Leon, opinam que "qualquer participação da oposição validaria um evidente processo de ruptura democrática na Venezuela".

A proposta de Assembleia Constituinte, convocada há duas semanas, também provocou condenação internacional. Apesar da decisão da Venezuela de deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA), o corpo mantém para 22 de maio uma reunião de chanceleres para discutir a crise.

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AFP