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Manifestantes da oposição participam de protesto, em Caracas, no dia 1º setembro de 2016

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Animada pela marcha que tomou as ruas de Caracas na semana passada, a oposição venezuelana retomará os protestos, nesta quarta-feira (7), para reivindicar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro.

Desta vez, a convocação vai além de Caracas, incluindo outras cidades. Contramarchas chavistas também são esperadas em todo o país.

O ponto final da mobilização são as sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em meio a um clima de tensão após várias detenções. A oposição denuncia a "perseguição" e a "repressão" sofridas por parte do governo. Este alega, por sua vez, que está tentando conter a violência e um golpe de Estado.

Diante do protesto, o CNE decidiu fechar seus 24 escritórios regionais na quarta-feira.

"Em vista da virulência da linguagem que utilizam, nos vemos na obrigação de suspender as atividades", declarou a ministra Socorro Hernández.

"O protagonismo será das regiões, porque Caracas já teve o seu. Procuramos acelerar a solução política e eleitoral para essa crise", disse o secretário-executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, referindo-se à massa gigantesca que foi às ruas da capital na última semana.

A oposição vê o referendo como única saída para a crise econômica e espera que a insatisfação da população ajude a lotar as ruas para pressionar o CNE a fazer a consulta ainda este ano.

Em discurso na noite desta terça-feira, Maduro reafirmou as acusações de que a oposição quer gerar violência para propiciar um golpe de Estado.

Buscando ganhar tempo, o governo acelerou planos de abastecimento de produtos básicos com o apoio dos militares e mantém, no CNE e no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), uma série de demandas contra a oposição, incluindo a possibilidade de suspender a imunidade dos deputados. A Casa é de maioria opositora.

"O referendo revogatório não tem a menor possibilidade de ser este ano (...) Se acontecer, seria para março", manifestou o número dois do chavismo, Diosdado Cabello.

A corrida é feroz. Está em jogo uma mudança de modelo, após 18 anos de governo socialista. Se a consulta for realizada antes de 10 de janeiro de 2017 e Maduro perder, haverá nova eleição à Presidência. Se acontecer depois e o presidente tiver seu mandato revogado, será substituído por seu vice.

Tendo o referendo como pano de fundo, a Venezuela está metida em um conflito de poderes desde que a MUD assumiu o controle do Parlamento em janeiro passado.

O TSJ invalidou cerca de 20 decisões tomadas pela maioria opositora e, esta semana, declarou nulas futuras decisões por considerar a Assembleia em desacato.

"Querem anular um ao outro. Todos os poderes estão em disputa e, infelizmente, vale tudo na guerra", opinou a socióloga Maryclen Stelling.

Em 1º de setembro, Caracas foi palco de uma grande passeata, a qual teria reunido 1,1 milhão de pessoas - segundo a MUD -, ou 30 mil - de acordo com o governo. Um protesto simbólico foi convocado para acontecer na capital por volta das 12h locais (13h, horário de Brasília), parando por 10 minutos qualquer atividade e circulação de veículos.

"O chavismo deve estar na rua acompanhando esta luta do povo. Eles vão seguir com seu plano", disse Cabello em um ato público, ao advertir que a oposição planeja uma escalada de protestos até chegar a uma "greve nacional".

"O desafio da oposição é se manter ativa e pacificamente nas ruas, pressionando o referendo", comentou o analista político Luis Vicente León.

O dirigente chavista Elías Jaua garantiu que a "mobilização popular" é "o melhor antídoto contra a violência, contra os golpes de Estado", motivo pelo qual convocou todos os chavistas a se mobilizar.

Cerca de 60 pessoas foram detidas na última semana na manifestação de 1º de setembro e em outra realizada em Villa Rosa. A maioria dos ativistas já foi solta.

Segundo o diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), Gustavo González López, foi detido um grupo de pessoas "que estava organizando atos de violência" para este 7 de setembro.

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AFP