O líder opositor israelense, o ex-militar Benny Gantz, foi eleito nesta quinta-feira (26) presidente do Parlamento e em seguida declarou que atuaria por um governo de união nacional diante da ameaça do novo coronavírus, uma manobra inesperada em meio ao conturbado panorama político do país.

"São tempos inéditos e pedem decisões inéditas", declarou Gantz após ser eleito com 74 votos a favor e 18 contra na Knesset (Parlamento israelense).

Após mais de um ano de bloqueio político e três eleições legislativas, as portas se abrem agora para um acordo com seu rival, o conservador Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro e acusado de corrupção pela Justiça.

O presidente da legislatura anterior, Yuli Edelstein, do partido Likud, um fiel seguidor de Netanyahu, havia renunciado na quarta-feira, seguindo uma decisão da Suprema Corte.

Gantz é o líder do partido de centro Azul e Branco, e ninguém esperava que fosse se candidatar à Knesset, principalmente por ter sido encarregado de forma oficial a tentar formar um governo, após as eleições de 2 de março.

A princípio, Gantz deveria apresentar a candidatura de um deputado da sua sigla para ocupar o importante cargo de presidente do Parlamento.

De forma inesperada, ele apresentou candidatura própria, e foi o mais votado.

Israel precisa no momento de um governo de "união e emergência", disse Gantz, ex-chefe do Exército.

Netanyahu foi acusado de corrupção, mas isso não o impediu de obter bons resultados nas últimas eleições - o terceiro processo eleitoral em menos de um ano.

Seu partido, Likud, conseguiu 36 cadeiras das 120 existentes. Porém, continua sem poder formar uma maioria suficiente.

A situação também não parece fácil para a bancada do Azul e Branco, que estava prestes a implodir.

- União diante do coronavírus -

"Parabenizo Benny Gantz por sua corajosa decisão de integrar um governo de unidade liderado por Benjamin Netanyahu. Trata-se de uma boa decisão para Israel nesse período de emergência" na saúde, comentou o ministro da Defesa, Naftali Bennett.

Um dos efeitos colaterais da Covid-19 em Israel é o adiamento do julgamento por corrupção, sonegação e abuso de poder de Netanyahu.

Até o momento, 2.660 casos do novo coronavírus foram confirmados em Israel, além de oito mortes.

Os cidadãos israelenses vivem em estado de confinamento e só podem sair de suas casas para comprar artigos de primeira necessidade ou para trabalhar, em alguns casos.

Durante os meses de bloqueio, Netanyahu vinha solicitando a formação de um governo de união no qual ele e Gantz alternariam no poder.

No entanto, Gantz não queria que o governo tivesse à frente alguém que responde à Justiça por crimes.

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