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Em um clima de forte tensão, os opositores venezuelanos iniciaram nesta quarta-feira (26) uma greve de 48 horas para obrigar o presidente Nicolás Maduro a suspender a eleição no domingo de uma Assembleia Constituinte, que poderá, segundo a oposição, instaurar o comunismo no país

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Em um clima de forte tensão, os opositores venezuelanos iniciaram nesta quarta-feira (26) uma greve de 48 horas para obrigar o presidente Nicolás Maduro a suspender a eleição no domingo de uma Assembleia Constituinte, que poderá, segundo a oposição, instaurar o comunismo no país.

A paralisação começou às 6h (hora local) com algumas ruas vazias e outras bloqueadas por barricadas e escombros, em vários pontos de Caracas e de outras cidades.

"Chega de ditadura", afirmam alguns cartazes espalhados pelos locais de protesto.

Em um vídeo postado no Twitter, em sua primeira mensagem na prisão domiciliar, o líder opositor Leopoldo López pediu aos militares venezuelanos que retirem seu apoio à Assembleia Constituinte.

"Eu os convido a não serem cúmplices da aniquilação da República, de uma fraude constitucional, da repressão", afirmou López, em prisão domiciliar desde 8 de julho depois de passar três anos e cinco meses atrás das grades.

"Tenham a segurança de que contarão com os cidadãos e a Constituição", garantiu López.

O fundador do Partido Vontade Popular expressou sua convicção de que Maduro não conseguirá instalar a assembleia para reformar a Carta Magna.

Aconselhados pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), muitos venezuelanos correram aos supermercados hoje para se abastecer de alimentos. Além disso, milhares cruzaram a fronteira com a Colômbia para fugir das incertezas do que pode acontecer.

A rejeição à Constituinte - mais de 70%, segundo a Datanálisis - aumentou ainda mais as manifestações, que começaram há quatro meses para exigir a saída de Maduro e já deixaram mais de 100 mortos.

Para sexta-feira (28), a MUD convocou uma grande manifestação em Caracas, advertindo que, se Maduro insistir na eleição, tomará ações mais contundentes no sábado e no domingo em um "boicote cívico eleitoral".

O governo começou a realizar seu chamado "maquinário 4x4": cada membro das organizações de base do partido da situação e dos movimentos sociais deve levar dez eleitores às urnas.

Caracas também afirmou que verificará se os beneficiários de seus programas sociais votarão na eleição da Assembleia, por meio da apresentação do chamado "carnê da pátria" nas seções eleitorais.

"Carnê da Pátria na mão, todo mundo com seu carnê da pátria e sua identidade. Na porta das seções eleitorais, vamos checar todos os carnês, para saber se todos votaram", disse o presidente Nicolás Maduro em um comício pela Constituinte.

Dotado de um "código qr" (similar ao código de barras), que traz informações do usuário, o "carnê da pátria" permite, entre outras coisas, adquirir alimentos subsidiados, em meio ao grave desabastecimento e à inflação galopante no país.

A oposição afirma que a exigência é um mecanismo de controle social com objetivos políticos.

Maduro antecipou que um dos objetivos da Constituinte será incluir o "carnê da pátria" na nova Carta Magna.

Em 6 de julho, Maduro ameaçou os funcionários públicos que não votarem para formar a Constituinte: "se temos 15 mil em uma repartição, devem votar os 15 mil, sem desculpas, empresa por empresa, ministério por ministério, prefeitura por prefeitura".

Segundo analistas, uma alta abstenção diminuiria a legitimidade da Constituinte, diante dos 7,6 milhões de votos obtidos, de acordo com a MUD, pelo plebiscito simbólico realizado em 16 de julho passado contra essa iniciativa.

AFP