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Líbios se reúnem em tenda de venda de pôsteres da Comic-Con Líbia, em Trípoli, em 2 de novembro de 2017

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Um grupo armado líbio que atua como a Polícia em Trípoli anunciou neste sábado que fechou as portas da Comic-Con e deteve seus organizadores, ao considerar que o festival de cultura pop atentava contra "os costumes e o pudor".

Na sexta-feira, centenas de jovens foram a Trípoli para a abertura da segunda edição da Comic-Con Líbia, que deveria continuar neste sábado, fantasiados como seus personagens favoritos.

Segundo um dos participantes, a Força de Dissuasão entrou no local onde o evento era organizado, deteve os organizadores e levou os computadores.

Essa força leal ao Governo de Unidade Nacional (GNA), com sede em Trípoli e apoiado pela comunidade internacional, é formada fundamentalmente por salafistas e controla, sobretudo, o leste da capital.

Atua como a Polícia em Trípoli e persegue tanto traficantes de drogas ou álcool, como pessoas suspeitas de pertencer ao grupo Estado Islâmico (EI).

Considerado um dos grupos armados mais disciplinados, ganhou influência desde a instalação do GNA em Trípoli, em março de 2016, após conseguir conter o crime organizado na capital líbia.

Ao deter os organizadores da Comic-Con, a Força de Dissuasão considerou que era "necessário abordar esses fenômenos destrutivos e combatê-los". Detalhou que os organizadores serão apresentados "à Procuradoria por atentar contra os costumes e o pudor".

"Esses tipos de festivais importados do exterior exploram a fraqueza da persuasão religiosa (dos adolescentes) e seu fascínio pelas culturas estrangeiras", explicou o grupo armado.

O fenômeno Comic-Con nasceu em 1970 nos Estados Unidos, quando alguns "geeks" começaram a trocar revistas de histórias em quadrinho de super-heróis. Desde então esse tipo de festival se propaga em todo o mundo.

Desde a queda do regime de Muammar Kadhafi, em 2011, as sucessivas autoridades de transição fracassaram em sua tentativa de estabelecer uma Polícia e um Exército regulares capazes de restaurar a ordem em um país controlado por centenas de milícias.

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AFP