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Ortega garante que não renunciará à presidência da Nicarágua

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, promete terminar seu mandato em 2021 e descarta renúncia. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. julho 2018 - 01:09
(AFP)

Daniel Ortega declarou nesta segunda-feira que não renunciará à presidência da Nicarágua e que concluirá seu mandato em 2021, rejeitando os apelos da oposição para entregar o poder como forma de superar a grave crise que assola o país.

"Nosso mandato termina em 2021, quando teremos as próximas eleições", disse Ortega em entrevista à rede de televisão americana Fox News, negando a proposta da oposição de antecipar a votação.

"Antecipar as eleições criaria instabilidade, insegurança e pioraria as coisas", declarou Ortega, 72 anos, à Fox.

O presidente, que já governou a Nicarágua durante o total de 22 anos desde a revolução sandinista que provocou, em 1979, a queda do ditador Anastasio Somoza, garantiu que a onda de protestos iniciada em abril já terminou.

"Já se passou uma semana desde o final dos distúrbios. As coisas estão voltando ao normal no país", disse o antigo guerrilheiro, admitindo que os protestos pacíficos prosseguem.

Por ocasião do Dia do Estudante, milhares de pessoas participaram de uma passeata aos gritos de "Liberdade para os Presos", "Justiça" e "Autonomia" universitária que terminou diante da Universidade Centro-Americana (UCA).

Os universitários carregaram cruzes em suas mochilas para recordar os mortos durante a onda de protestos, e fotos de seus companheiros detidos de forma "arbitrária" por participar das manifestações.

Já a União Nacional dos Estudantes da Nicarágua (UNEN), ligada ao governo, realizou outra passeata, em apoio a Ortega e para defender punição aos responsáveis pela "tentativa de golpe de Estado".

Nesta segunda-feira, organismos de direitos humanos denunciaram a captura de centenas de pessoas de forma arbitrária", apenas por sua participação nos protestos contra Ortega.

Trabalhadores, estudantes e famílias inteiras são vítimas de perseguição, captura ou sequestro por participar das marchas opositoras ou ter um gesto humanitário com os que rejeitam o governo, segundo o Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos (Cenidh).

Entre os detidos estão a líder do Movimento Estudantil de Masaya, Cristian Fajardo, e a universitária Valeska Sandoval, que se refugiou na Igreja Divina Misericórdia de Manágua durante o ataque de paramilitares à Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN) em 14 de julho.

A diretora Executiva do Cenidh, Marlin Sierra, disse que o número de detidos é incerto porque muitos são presos e depois soltos, mas ocorrem outras detenções.

Segundo o Cenidh, a onda de protestos iniciada em 18 de abril já deixou 292 mortos, incluindo 20 policiais e 30 paramilitares ligados ao governo.

A Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH) recebeu denúncias de familiares de 150 pessoas capturadas e de um número semelhante de "sequestrados".

A Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH) recebeu denúncias sobre cerca de 700 detidos.

"Imploramos em nome de Deus que se detenha a caça destes jovens (...). Não é possível criminalizar o povo por protestar e tratá-lo como terrorista", disse em sua homilia de domingo o arcebispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez.

Em meio à onda de protestos contra o governo, o Parlamento controlado por Ortega aprovou na semana passada uma polêmica lei que pune com entre 15 e 20 anos de prisão os envolvidos em atividades contra o governo.

O secretário da ANPDH, Álvaro Leiva, qualificou as detenções de "caça de jovens" por participar ou apoiar os protestos (...) ou se expressar contra o governo nas redes sociais.

Leiva considerou as detenções como "sequestros" porque os paramilitares não têm base legal para este tipo de ação.

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