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Donald Trump chega à Casa Branca em 28 de abril de 2017

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O presidente Donald Trump alcança neste sábado a marca simbólica de 100 dias à frente do governo, com uma gestão que já tem um efeito preocupante para os imigrantes em situação irregular, que vivem agora a ameaça da deportação.

Trump pavimentou seu caminho rumo à Casa Branca com um pacote de promessas que incluía a expulsão dos mais de 11 milhões de imigrantes em situação irregular, independentemente de sua situação familiar, e a construção de um muro na fronteira com o México.

Desta forma, a chegada de Trump à Casa Branca representou o sepultamento definitivo das ilusões de reforma migratória como a impulsionada pelo ex-presidente Barack Obama, e marcou o início de uma era de medo e insegurança para os imigrantes.

"O novo cenário, com prisões sem distinção se a pessoa é criminosa ou não, é preocupante. Porque deixa em situação de risco toda a população migrante", declarou à AFP a especialista Maureen Meyer, do centro de análises WOLA, em Washington.

Como as entidades de defesa dos imigrantes lembram constantemente, a imensa máquina americana de deportação já funcionou durante o governo de Obama, que inclusive chegou a ser chamado de "Deportador em Chefe" pelos ativistas mais críticos.

Mas a administração Obama buscava evitar separar famílias e ao mesmo tempo impulsionou, na reta final de sua gestão, um mecanismo para que imigrantes cujos filhos tivessem regularizado sua situação também pudessem se beneficiar de um processo de normalização.

Com o novo governo, no entanto, a questão passou claramente a ser encarada no âmbito da segurança nacional, que se resolverá em parte através de um fortalecimento da presença armada ostensiva ao longo da fronteira com o México.

"A segurança migratória é segurança nacional", disse Trump na sexta-feira, em uma frase que resume em apenas seis palavras a nova visão sobre o fenômeno migratório.

- Fatores permanecem -

Os números parecem mostrar as consequências da chegada de Trump à Casa Branca.

De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), em março os agentes fronteiriços prenderam 12.193 pessoas - em sua maioria centro-americanas - que tentavam cruzar a fronteira ilegalmente.

Em outubro, esse número havia chegado a mais de 66.700 pessoas.

O número verificado em março representa o menor nível mensal de detenções desde outubro de 1999. Esta diminuição "não é um acidente", disse o secretário de Segurança Interna, John Kelly.

No entanto, no estudo elaborado pelo WOLA apontou que a diminuição no número de detenções de imigrantes na fronteira é muito extrema para que seja sustentável, e que o fenômeno está longe de ser controlado.

De acordo com o estudo, a violência e o desemprego na América Central continuam sendo um fator de emigração e não há evidências de que os grupos especializados em tráfico de pessoas tenham desaparecido nem que estejam sob pressão.

Por isso, os autores do estudo arriscaram uma previsão: "Nos próximos meses, os números migratórios se elevarão em relação aos níveis atuais, apesar da retórica dura do governo Trump".

"Há um fator familiar que não desapareceu. Muitas famílias na América Central e no México continuam tendo parentes nos Estados Unidos, e seguirão buscando esta reunificação", disse Meyer à AFP.

Além disso, afirmou a especialista, o reforço da segurança na fronteira exigirá do governo um enorme esforço orçamentário para iniciativas como o aumento de 50% no pessoal de patrulha, para não mencionar a construção do polêmico muro.

"Aumentar o pessoal em 50% requer um orçamento enorme. Terá apoio do Congresso para isso? São necessários muitos recursos, e não está certo de que os terá. Não os tem para construir o muro" na fronteira com o México, ressaltou.

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