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Pessoas seguram faixa durante manifestação pró-independência da Catalunha, em Barcelona, em 11 de setembro de 2017

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Nas vésperas do referendo de independência previsto para o domingo (1) na Catalunha e proibido por Madri, a incerteza é máxima quanto ao que irá acontecer.

A Justiça e o governo da Espanha consideram a consulta anticonstitucional, mas o Executivo separatista catalão está decidido a levá-la adiante e critica a "repressão" de Madri.

Todos concordam que a crise não terminará em 1º de outubro. Veja os possíveis cenários deste referendo:

O referendo vai acontecer?

Hoje, o referendo não é vinculativo, uma vez que a Justiça o declarou ilegal e, juntamente com o governo espanhol, ativou quase todas as ferramentas à sua disposição para preveni-lo e deslegitimá-lo.

Nas últimas semanas, a polícia apreendeu milhões de cédulas, e 14 funcionários do governo catalão foram detidos e depois liberados sob acusações.

O Conselho Eleitoral criado para a ocasião renunciou sob instruções do governo catalão, e milhares de policiais foram enviados para impedir o funcionamento das assembleias de voto.

Apesar disso, Raül Romeva, secretário regional para os Assuntos Exteriores, insiste que a consulta acontecerá.

"As cédulas podem ser reimpressas tantas vezes quanto precisarmos, temos as urnas, as assembleias de voto", indicou à AFP esta semana.

O cenário mais provável é que a votação ocorra de forma desordenada.

"Vão tentar organizar um simulacro de votação, e veremos de perto e com que capacidade", disse Miquel Iceta, líder dos socialistas catalães, que se opõem à consulta.

Risco de distúrbios

A polícia regional catalã, os Mossos d'Esquadra, advertiu para o "risco" de desordem pública que resultaria de uma ordem judicial para fechar as assembleias de voto e monitorá-las para que ninguém vote no domingo.

Na quinta-feira, no entanto, o secretário catalão do Interior, Joaquim Forn, e o secretário de Estado da Segurança, José Antonio Nieto, insistiram na necessidade de preservar a "coexistência" e a ordem, não importa o que aconteça.

Negociações

Se os catalães conseguirem votar de uma forma ou de outra, presume-se que o "sim" vencerá, já que aqueles contrários a independência vão permanecer em casa.

Os separatistas se apegam a isso, mas com qual resultado?

A primeira opção, de acordo com Gabriel Colomé, professor de ciência política na Universidade Autônoma de Barcelona, ​​seria optar por não proclamar a independência rapidamente, conforme previsto por uma lei votada no Parlamento catalão, de maioria separatista.

Em vez disso, os independentistas poderiam organizar mobilizações maciças em toda a Catalunha.

O pequeno sindicato anarquista CGT já convocou uma greve geral para 3 de outubro, embora os dois principais sindicatos, CCOO e UGT, tenham rejeitado essa opção por enquanto.

Em qualquer caso, a economia espanhola seria prejudicada em caso de greve em uma região como a Catalunha, que contribui com 19% do PIB nacional.

Sob esse cenário, Colomé acredita que pode haver uma negociação sobre a concessão de mais poderes ao governo regional e uma melhoria no financiamento.

Proclamação de uma república

A outra opção, aponta Rafael Arenas Garcia, professor de direito na Universidade Autônoma de Barcelona, é o presidente Carles Puigdemont declarar de forma unilateral a independência. Neste caso, Madri teria que reagir de imediato.

Enric Millo, delegado do governo central na Catalunha, indicou na terça-feira que, em qualquer caso, a resposta será "proporcional".

Em virtude da legislação vigente, Madri pode assumir o controle da polícia catalã.

Inclusive, poderia prender Puigdemont, uma imagem que rodaria o mundo e serviria aos separatistas para "transformar a lógica da independência na lógica da defesa da democracia contra o Estado repressivo".

Eleições

O terceiro cenário é que os separatistas não declarem a independência e dissolvam o Parlamento em algum momento, o que levaria a eleições antecipadas na Catalunha.

Os separatistas estão confiantes de que a tensão dos últimos anos os fez ganhar apoio, possibilitando uma maioria mais ampla na composição da próxima Câmara, com a qual continuariam lutando pela secessão.

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AFP