Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Foto cedida pelo European Southern Observatory em 16 de outubro de 2017 mostra imagem do instrumento VIMOS no telescópio ESO, no Observatório Paranal no Chile, da galáxia NGC 4993, a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra

(afp_tickers)

Da origem do ouro na Terra à velocidade da expansão do universo, a primeira observação da fusão de duas estrelas de nêutrons deu lugar a uma explosão de descobertas científicas.

Estes são três dos principais segredos do universo "revelados":

- Mina de ouro cósmica -

O universo tinha escondido até agora sua forma de produzir os elementos pesados que o compõem, como o ouro e o chumbo.

Segundo a teoria geralmente aceita, o Big Bang, ocorrido há 14 bilhões de anos, desprendeu no universo um gás uniforme composto de elementos leves como o hidrogênio e o hélio.

Os elementos um pouco mais pesados, como o ferro, o carbono e o oxigênio foram fabricados nos núcleos das estrelas.

E os mais pesados? "Pela primeira vez, temos uma prova clara da existência de uma mina cósmica que criou cerca de 10 massas terrestres de elementos pesados como o ouro, a platina e o neodímio", explicou Mansi Kasliwal, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Os cientistas já tinham teorizado que a fusão de duas estrelas de nêutrons ou a explosão de uma supernova podiam ser a base de reações nucleares que levam à formação de núcleos atômicos pesados, mas até agora nenhuma destas 'fábricas' tinha sido observada.

"O ouro da sua aliança procede provavelmente de uma fusão de estrelas de nêutrons que ocorreu há cinco bilhões de anos", explicou à AFP Patrick Sutton, responsável da equipe de física gravitacional da Universidade de Cardiff (Reino Unido).

- Radiações -

Outro mistério resolvido é o da origem dos raios gama curtos.

Os raios gama são fótons de alta energia produzidos em abundância, sobretudo por reações nucleares.

Uma vez que provém de muito longe - centenas de milhões de anos-luz -, a energia emitida pelo objeto celeste tem que ser prodigiosa.

Apenas 1,7 segundo depois de que os centros LIGO (americano) e Virgo (europeu) detectaram as ondas gravitacionais das duas estrelas, o telescópio Fermi da Nasa captou raios gama curtos.

Os cientistas concluíram que a fusão das duas estrelas de nêutrons emitiu ao mesmo tempo raios gama curtos.

E a simultaneidade das duas recepções demonstraram que Albert Einstein acertou quando previu, há mais de 100 anos, que as ondas gravitacionais se propagam na velocidade dos fótons, ou seja, das ondas luminosas.

- Universo em expansão -

Os cientistas sabem que o cosmos está se expandindo, mas descobrir a qual velocidade tem sido um desafio.

Se conseguirem identificar o ritmo, poderão determinar a idade do Universo e a quantidade de matéria que ele contém.

Ao medir o tamanho das ondas gravitacionais emitidas por um evento monstruoso, como uma fusão de buracos negros ou de estrelas de nêutrons, os cientistas teoricamente podem deduzir a qual distância este evento aconteceu.

Da mesma forma, a análise de um flash de raios gama deveria revelar o "desvio para o vermelho" (uma medida da alteração do comprimento de onda da luz se afastando de um observador) da fonte e, portanto, a velocidade em que se move.

Na descoberta de 17 de agosto, os cientistas observaram os raios gama e as ondas gravitacionais da mesma fonte pela primeira vez - permitindo que eles fizessem uma estimativa nova, ainda que preliminar, de quão rápido o universo está se expandindo.

Por enquanto, o número continua sujeito a grandes "incertezas estatísticas", e precisa ser aperfeiçoado observando mais colisões de estrelas de nêutrons, disseram os pesquisadores.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP