A Otan está se preparando para reconhecer pela primeira vez os "desafios" que a China traz, embora sem querer fazer desse gigante econômico, cujas capacidades militares estão aumentando, um adversário.

Durante o encontro de cúpula em Londres, os líderes dos 29 países da Aliança assinarão na quarta-feira uma declaração conjunta reconhecendo as "oportunidades e desafios" trazidos pela China.

A reunião na Inglaterra para comemorar o 70º aniversário da Otan servirá também para adotar um documento interno sobre um plano de ação sobre como os aliados devem se relacionar com o gigante asiático.

"Agora reconhecemos que o auge da China tem implicações em questões de segurança para todos os aliados", disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em um evento paralelo nesta terça-feira (3) em Londres.

Stoltenberg explicou que China "possui o segundo maior orçamento de defesa" do mundo e com recursos modernos", como mísseis que podem atingir toda a Europa e os Estados Unidos.

Sob a presidência de Xi Jinping, a China adotou uma atitude mais assertiva em sua política externa e é acusada de montar ciberataques contra a Europa e de espionagem para roubar propriedade intelectual.

O Mar da China Meridional tornou-se uma fonte de tensão entre Pequim e Washington, com os americanos acusando o gigante asiático de "intimidação".

Pequim construiu instalações militares, armou navios e enviou embarcações de vigilância nesta zona marítima disputada, onde vários países têm reivindicações opostas.

- "Novo adversário"? -

A missão de defesa da Aliança Atlântica é limitada à Europa e América do Norte, mas Stoltenberg disse que a influência chinesa está começando a chegar a essas áreas.

"Não se trata de transferir a Otan para o Mar da China Meridional, mas levar em conta que a China está se aproximando de nós no Ártico, na África, investindo pesadamente em nossa infraestrutura na Europa, no ciberespaço", afirmou.

Mas o ex-primeiro-ministro norueguês insistiu que a nova abordagem da Otan não era criar um "novo adversário, mas analisar, entender e responder de maneira equilibrada aos desafios impostos pela China".

A Europa tem se esforçado para encontrar uma posição comum sobre a China. Alguns países destacam o risco que representa, enquanto outros, especialmente no sul e leste, acolhem com satisfação seus investimentos em infraestrutura.

O projeto de declaração da cúpula, que os embaixadores dos países da Otan aprovaram, também destaca a necessidade de sistemas de comunicação "seguros", especialmente no que diz respeito à infraestrutura 5G.

Isso apontou para uma crescente ansiedade na Otan e nos países ocidentais sobre o papel das empresas chinesas, especialmente a Huawei, na construção das redes necessárias para a próxima geração de comunicações sem fio.

Washington pede à Europa que exclua a Huawei do desenvolvimento dessas redes 5G, garantindo que a empresa tem laços estreitos com o governo chinês e que o equipamento pode ser usado como ferramenta de espionagem por Pequim.

Na semana passada, a Alemanha disse que planeja restringir as regras de aquisição de empresas nacionais de ponta, devido ao interesse de empresas chinesas.

A medida afeta empresas que trabalham nas áreas de robótica, inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia e tecnologia quântica.

Tomas Valasek, analista do centro de reflexão Carnegie Europe, disse que provavelmente levará tempo para a Otan construir una política sobre China.

A longo prazo, a China poderia representar, em sua opinião, "um problema maior mas de combustão mais lento que o tradicional adversário da Otan, a Rússia.

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