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(Junho) Funcionários da Médicos sem Fronteiras vestem roupas de proteção na capital da Guiné

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Os países do oeste da África intensificavam os esforços para conter a epidemia de ebola, que deixou cerca de mil mortos em oito meses, enquanto aguardam um anticorpo experimental ou uma vacina desenvolvida por laboratórios ocidentais.

A Libéria, que decretou no último dia 6 estado de emergência por 90 dias, inaugurou uma central telefônica para contribuir com a prevenção, palavra-chave na luta contra a propagação do vírus, transmitido por contato direto com o sangue ou líquidos biológicos de pessoas ou animais infectados, e que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa e, frequentemente, letal.

Os operadores trabalham em um complexo chamado "centro de recursos", instalado na sede de uma agência estatal em Monróvia e criado para a "coordenação de todos os esforços" na luta contra o ebola no país, explicou à AFP a porta-voz do centro, Barkue Tubman.

En três dias, foram recebidas quase 3,5 mil chamadas sobre doentes ou casos suspeitos, ou em busca de informações.

Para a assistência telefônica, "recrutamos 114 agentes, que trabalham em equipes de 30 pessoas. Funcionamos 24 horas por dia, sete dias por semana", assinalou Barkue.

No país, o Exército recebeu ordem para limitar os deslocamentos populacionais, e controlava estritamente os acessos à capital, Monróvia, procedentes de províncias afetadas pela explosão da febre, que afeta dois países vizinhos - Guiné e Serra Leoa - bem como a Nigéria.

A epidemia atual, declarada na Guiné, é a mais grave desde a descoberta do vírus ebola, em 1976, na África Central. Ela deixou mais de 960 mortos em quase 1,8 mil casos confirmados, prováveis e suspeitos, nos quatro países, principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa, seguidas pela Nigéria.

Um romeno que retornou da Nigéria com sintomas do vírus foi colocado em quarenta neste domingo em um hospital especializado em doenças infecciosas de Bucareste, informaram fontes médicas.

Além da Libéria, o estado de emergência foi decretado em Serra Leoa e Nigéria, que pediu a participação de voluntários, reconhecendo um déficit de funcionários da área de saúde.

- 'Operação Octopus' -

Em Serra Leoa, 1,5 mil militares e policiais estavam envolvidos na operação Octopus, para vigiar a aplicação rigorosa das medidas antiebola - fechamento de locais de lazer, restrições de deslocamento, e perturbações no transporte e na distribuição de produtos básicos -, que prejudicam a rotina e podem provocar uma crise alimentar, principalmente entre os habitantes de Kailahun e Kenema, áreas agrícolas e de mineração em quarentena desde 7 de agosto.

A Guiné anunciou neste sábado o fechamento de suas fronteiras com Libéria e Serra Leoa para tentar impedir a propagação da epidemia, mas voltou atrás e disse querer apenas evitar a multiplicação dos deslocamentos transfronteiriços clandestinos.

Nos últimos dias, vários países prometeram apoio financeiro, logístico ou de recursos humanos.

Os chamados também se multiplicaram em favor de medidas excepcionais, de prevenção ou colocação à disposição de meios extraordinários, inclusive um eventual uso de tratamentos experimentais em desenvolvimento por laboratórios ocidentais.

Ainda não existe nenhum tratamento ou vacina específica contra a febre do ebola.

Alguns países pediram para usar um anticorpo experimental desenvolvido nos Estados Unidos, o ZMAPP, nunca testado em seres humanos, mas administrado a dois americanos infectados na Libéria.

A OMS se reúne na semana que vem para avaliar a possibilidade de usar o ZMAPP no oeste da África.

Um tratamento preventivo contra o ebola criado pelo laboratório britânico GSK poderia ser alvo de testes clínicos em setembro e estar disponível em 2015, segundo Jean-Marie Okwo Bélé, diretor do departamento de vacinas e imunização da OMS.

AFP