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O diplomata cubano Rodolfo Benítez (E) e o embaixador norueguês Dag Nylander (D), que atuam no processo de paz da Colômbia

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Noruega e Cuba, países fiadores do processo de paz para a Colômbia, solicitaram na noite desta quarta-feira ao governo e à guerrilha das Farc que façam "esforços" para preservar as negociações em Havana, após o recrudescimento das hostilidades.

"Fazemos um apelo às partes para que mantenham seus esforços no sentido de seguir avançando na discussão das questões pendentes, incluindo na adoção de um acordo para um cessar-fogo bilateral definitivo", disse à imprensa o diplomata cubano Rodolfo Benítez, ao lado de seu colega norueguês Dag Nylander.

"Os governos de Cuba e Noruega (...) expressam sua profunda preocupação com a atual escalada do conflito armado na Colômbia" e "lamentam as perdas de vidas humanas que ocorreram", destacaram os dois diplomatas.

Recentes ataques das forças armadas colombianas mataram 40 rebeldes das Farc, incluindo um membro da delegação de paz e um dos líderes do grupo guerrilheiro.

A ofensiva militar contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia matou Jairo Martínez, integrante da delegação de paz das Farc em Havana, e o comandante Román Ruíz, membro do Estado-Maior Central do grupo guerrilheiro.

Os ataques aconteceram em Cauca (sudoeste), Antioquia (norte) e Chocó (sudoeste), semanas depois de 11 militares terem morrido em uma emboscada rebelde em meio a uma trégua unilateral da guerrilha.

Após a emboscada, em Cauca, o presidente Juan Manuel Santos decidiu retomar os bombardeios contra as Farc, e a ofensiva levou a guerrilha a suspender na quinta-feira sua trégua unilateral, em vigor desde dezembro.

Na noite desta quarta-feira, Santos advertiu os militares para que "não baixem a guarda" após a decisão das Farc de suspender a trégua unilateral.

"Não baixem a guarda. Agora estamos passando por uma tempestade no processo de paz, com a guerrilha dizendo que vai suspender o cessar-fogo, o que espero que seja passageiro; vamos perseverar e enquanto isto vocês não baixem a guarda", disse Santos em um discurso no norte do país.

Santos destacou que parte das baixas recentes sofridas pelos militares se deram devido a erros de inteligência. "Muitos destes golpes, como o de Cauca (morte de 11 soldados), as Forças Armadas sofreram como resultado de erros militares, de erros de procedimento".

Apesar dos incidentes, nenhuma das partes ameaçou abandonar o diálogo em Havana visando pôr fim a um conflito armado que já dura mais de meio século.

A União Europeia pediu a ambas as partes que "se mantenham comprometidas com continuar as negociações" e disse que "devem ser adotadas medidas concretas para uma desescalada da situação no terreno".

Desde que começaram, em novembro de 2012, as negociações em Cuba se desenrolam em meio aos conflitos na Colômbia, mas a trégua das Farc e a suspensão dos bombardeios do governo haviam reduzido os combates e as baixas. Agora, as tensões voltaram a aumentar.

O conflito colombiano já deixou mais de 220 mil mortos e seis milhões de deslocados, segundo números oficiais. Trata-se do último combate armado na América.

Até o momento, os envolvidos chegaram a um acordo sobre três dos seis pontos da agenda, além de um plano para a retirada de minas, que está paralisado devido ao recrudescimento das hostilidades.

AFP