Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Pais e familiares dos 43 estudantes desaparecidos em Ayotzinapa participam de protesto, na Cidade do México, no dia 23 de setembro de 2015

(afp_tickers)

Incrédulos diante da versão oficial dos fatos, pais dos 43 estudantes desaparecidos de Ayotzinapa se reúnem nesta quinta-feira com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, onze meses depois de seu primeiro encontro e na véspera do aniversário do crime que abalou sua popularidade.

"Esperamos muito pouco da reunião porque sabemos que os compromissos firmados não se cumprem, mas não nos resta outra [saída]", disse à AFP o porta-voz dos familiares, Felipe de la Cruz, antes da reunião da qual participam os pesquisadores independentes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Os pais chegaram de ônibus ao museu Tecnológico da capital, onde se celebra o encontro a portas fechadas, tendo completado 18 das 43 horas de jejum iniciado na quarta-feira para exigir a apresentação dos jovens com vida.

Foram os mesmos familiares que em 6 de setembro passado exigiram de Peña Nieto que desse "a cara" depois que o informe dos especialistas da CIDH pôs em dúvida a versão oficial do crime, que estabelece que os jovens foram massacrados depois de terem sido atacados por policiais de Iguala (Guerrero, sul), enquanto pegavam ônibus para um protesto em 26 de setembro de 2014.

Admitindo que o encontro é tão importante quanto "complicado", o vice-secretário de Direitos Humanos de governo (Interior), Roberto Campa, confia em que chegará a acordos "para alcançar os dois objetivos principais que são saber a verdade e que se faça justiça".

Entre as reivindicações a Peña Nieto, os pais pedirão a apresentação dos filhos vivos, a permanência indefinida - e não de meio ano suplementar autorizado - do grupo de especialistas da CIDH "até que se chegue à verdade" e uma investigação profunda do papel do Exército no crime, disse De la Cruz.

Peña Nieto (2012-2018) só se reuniu uma vez com os pais dos estudantes, em outubro do ano passado, quando os recebeu em sua residência oficial, pressionado pela indignação internacional provocada por este crime.

O governo calcula que o encontro - que reúne 120 pessoas entre funcionários, familiares, estudantes e organizações de direitos humanos - se prolongue por duas horas.

Posteriormente, se espera que o porta-voz da Presidência, Eduardo Sánchez, dê uma coletiva de imprensa e que os pais façam o mesmo no acampamento montado no Zócalo para sua greve de fome.

Desde a segunda-feira, os pais e colegas dos estudantes lideraram vários protestos em Guerrero, que acabaram em episódios de violência. E, depois da greve de fome, eles participarão de uma marcha multitudinária este sábado na capital.

Nesse dia, quando completa-se um ano do crime, o presidente Peña Nieto estará viajando para Nova York para assistir à assembleia geral das Nações Unidas, uma viagem que gerou polêmica, já que meses atrás o chefe de Estado evitou suspender outras viagens ao exterior em um momento de alta sensibilidade pelo crime.

AFP